Diagnóstico é diferencial no tratamento de lombalgias
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domingo, 13 de setembro de 2015
Micaela Orikasa<br> Reportagem Local 
Olhares clínicos e especializados, acompanhados de novas tecnologias. É investindo em um novo projeto - o primeiro no País dentro da área de fisioterapia que alunos, professores e pesquisadores em Londrina, propõem um formato diferenciado para diagnosticar e tratar a dor nas costas.
Seja moderada, intensa, diária ou esporádica, o fato é que a lombalgia (dor lombar) é a segunda maior queixa médica em todo o mundo. Ao direcionar para o Brasil, as estimativas apontam que mais de 70% da população apresentam o problema.
Foi justamente a busca de conhecimento para reduzir essa estatística, que o tema passou a ser explorado na Universidade Norte do Paraná (Unopar), unindo pesquisa científica e prática clínica. Há três semanas, a universidade abriu as portas para a comunidade ter acesso ao projeto "Ambulatório de Dor Lombar", sem nenhum custo.
E já nos primeiros dias, eram 80 inscritos, como a dona de casa Regiane Ronchin, de 39 anos. Há mais de 14 anos, a dor nas costas compromete sua qualidade de vida, "forçando" um vai e vem nos consultórios médicos e clínicas de fisioterapia.
"Acredito que esse acompanhamento pode me ajudar a tratar a dor de vez. Vou aprender exercícios para fazer em casa e posso dizer que já estou satisfeita em poder contar com esse serviço", conta Regiane, enquanto era avaliada pela fisioterapeuta e docente da universidade, Fernanda S. Beraldo.
O projeto é coordenado pelo professor Rubens Alexandre da Silva Junior e integra o programa de mestrado e doutorado em Ciências da Reabilitação associado Universidade Estadual de Londrina (UEL) e Unopar.
Ele explica que a ideia é promover uma melhor avaliação do indivíduo, com o que há de melhor na área de fisioterapia, ou seja, com evidências científicas. "Isso garante o menor erro possível", diz. Para chegar aos resultados, uma bateria de exames e testes são realizados. E é nessa hora que entram em cena os aparelhos de alta tecnologia.
Entre eles, está uma plataforma que analisa a força de reação do solo e equilíbrio postural do paciente. Também são testadas a força da musculatura lombar, resistência e funcionalidade, isto é, toda a capacidade física do indivíduo.
"Os exames de imagem que a maioria está habituada a fazer são importantes, no entanto, nem sempre os resultados estão associados com o problema. Seguindo este raciocínio, esse diagnóstico garante sim uma maior precisão em termos biológicos", afirma.
Para exemplificar, ele cita os exames de raio-X, onde um processo degenerativo importante será detectado, mas na hora do exame clínico, a dor pode estar localizada em outra parte do corpo. "Isto pode significar tanto um problema mecânico da própria vértebra ou, então, que a lesão não tem origem naquele local", diz.
Com a avaliação individualizada do paciente, o próximo passo então é o encaminhamento para a fase mais adequada do tratamento. Isso porque ele é dividido em estágios e representados por bandeiras coloridas.
Cada sessão tem duração de 60 minutos e os 15 minutos finais (bandeira branca) são sempre destinados à educação, onde os pacientes aprendem sobre a estrutura da coluna vertebral e quais são as causas do problema que está enfrentando. Além disso, são orientados sobre exercícios que podem ser feitos em casa, postura adequada e correção de movimentos do dia a dia.
Silva Junior explica que a bandeira vermelha, por exemplo, é um sinal de alerta. O paciente direcionado para este estágio, recebe cuidados paliativos por conta da emergência.
"Na cor laranja, que são aqueles com dor aguda ou subaguda, usamos agentes físicos que potencializam o corpo a remediar o problema, em conjunto com alongamentos e exercícios mais leves para alívio da tensão", comenta.
Na bandeira amarela, o paciente terá contato com exercícios posturais e uma prática que vem crescendo muito nos últimos anos, que é a Terapia Manual (Osteopatia) com ações de mobilização e manipulação.
Por último, a bandeira verde representa acesso livre aos exercícios físicos, o que representa a alta do paciente. "Essa metodologia foge do tratamento tradicional da fisioterapia, pois nos ajuda a ter uma especificidade e ganhar tempo na terapia", conclui Silva Junior, ressaltando que o tratamento tem duração entre oito e 12 semanas.
As avaliações acontecem todas as terças e quintas-feiras no Laboratório de Avaliação Funcional e Performance Motora Humana (Lafup) e os tratamentos são às quartas-feiras, na Clínica de Fisioterapia. A Unopar fica na Rua Marselha, no Jardim Piza.
SERVIÇO:
Mais informações pelo telefone: (43) 3371-7816

