O câncer de mama corresponde a 22% dos novos casos da doença do mundo. De acordo com dados do Instituto Nacional do Câncer, este é o segundo tipo de tumor mais frequente e as estatísticas indicam aumento da doença tanto em países desenvolvidos quanto naqueles que estão em desenvolvimento. No ano de 2010, morreram cerca de 450 mil mulheres por conta do câncer de mama no mundo, mais de 12 mil delas eram brasileiras. No mesmo ano, a doença matou ainda 147 homens no País.
Os números são assustadores, e a tendência é que eles fiquem piores. Isto porque a ocorrência de câncer de mama aumenta 3,1% ao ano no mundo e a estimativa é que no ano de 2013 seja registrado aumento de 60 mil casos da doença em comparação ao ano passado. O principal desafio a ser superado é o diagnóstico.
No mês de outubro, a campanha Outubro Rosa estimula mulheres do mundo inteiro a fazerem o autoexame nas mamas. A prática é importante, mas nestes casos geralmente quando o tumor é identificado ele já possui de um a dois centímetros e é considerado grande pelos médicos mastologistas – especialistas em diagnóstico e tratamento de doenças nas mamas. Este é o principal fator pelo qual a Sociedade Brasileira de Mastologia recomenda a realização da mamografia para mulheres com mais de 35 anos.
Está comprovado que quanto mais cedo o nódulo for descoberto, maiores são as chances de sucesso no tratamento, mas ao mesmo tempo, a doença só é identificada precocemente por meio da mamografia. ‘’Este é o exame mais adequado para detectar o câncer de mama precocemente, mas ele precisa ser bem feito. Se o exame não tiver boa qualidade, a lesão pode não aparecer’’, alerta o médico mastologista e vice-diretor clínico do Hospital do Câncer de Londrina, José D’Oliveira Couto Filho. Para ele, tão importante quanto a realização, é a qualidade dos exames.

Exames
O médico orienta que as mamografias sejam realizadas sempre após a menstruação e que o exame seja repetido a cada dois anos a partir dos 35 anos. ‘’Quando a mulher completa 40 anos é importante que a frequência da mamografia seja anual’’, alerta.
Apesar de ser considerado um exame muito importante, cerca de 15% dos nódulos não aparecem na mamografia, por isso, diante de qualquer alteração na mama, é importante buscar um mastologista. O médico afirma que a maior taxa de incidência de câncer de mama é em torno dos 54 anos. ‘’A cada ano que passa aumenta a chance da mulher apresentar a doença’’. Segundo Couto Filho, isso explica o fato de nem todos os tipos de câncer de mama serem genéticos. ‘’Existe uma relação entre o aumento do risco da doença e a transmissão familiar do gen que favorece o problema. Nas mulheres que tiveram o câncer de mama antes da menopausa a doença tem mais chances de apresentar um caráter hereditário’’, salienta o médico.
O especialista analisa que se a mulher com mais de 35 anos descobrir alguma lesão na mama após a palpação, significa que ela perdeu tempo. ‘’Se ela tivesse feito a mamografia, o nódulo teria sido identificado enquanto estivesse menor’’, pondera Couto Filho.

Antes dos 35 anos
O índice de câncer de mama entre as mulheres com menos de 35 anos está aumentando ano a ano. O problema é que estas mulheres não têm indicação para fazer mamografia, por isso, quando elas descobrem o nódulo, geralmente, ele já está grande e compromete o resultado do tratamento.
A mudança de vida das mulheres, que estão deixando a maternidade para mais tarde e tendo menor número de filhos, está correlacionada ao aparecimento do câncer de mama, na avaliação do médico. Ele destacou ainda que não existe comprovação que a utilização de medicamentos anticoncepcionais esteja ligada à doença.
Além da mamografia, outro exame que pode ser utilizado no diagnóstico do câncer de mama é a ultrassonografia. Este recurso é complementar, já que só consegue identificar lesões com mais de um centímetro. ‘’A mamografia permite descobrir lesões com um milímetro de largura, ou antes mesmo de formar um nódulo’’, esclarece.

Imagem ilustrativa da imagem Diagnóstico do câncer de mama ainda é desafio



Leia a reportagem completa em conteúdo exclusivo para assinantes da FOLHA.

- Novo equipamento pode identificar microlesões

- Professora passa a dar aulas sobre o assunto

- Doença é mais agressiva em homens

mockup