Diagnóstico de doença rara desafia médicos
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domingo, 20 de maio de 2012
Michelle Aligleri <br> Reportagem Local <br> 
Michelle Aligleri
Reportagem Local
Uma doença progressiva, de múltiplas faces e que precisa ser diagnosticada precocemente. Assim pode ser definida a mucopolissacaridose (MPS) que atinge 600 crianças no Brasil. Causada por erros inatos do metabolismo, a doença é provocada por uma mutação genética que leva a ausência ou a deficiência de enzimas no organismo.
Os pacientes de MPS possuem aparência normal ao nascimento, mas com o desenvolvimento passam a apresentar sintomas específicos, tais como aumento do tamanho da língua e lábios, rigidez nas articulações, abdômen aumentado, perda auditiva, comprometimento do coração, apneia do sono, mão em forma de garra e diminuição na velocidade do crescimento entre outros.
Entre os sintomas, a criança começa apresentar saliência na coluna, hérnias inguinais e umbilicais, infecções recorrentes de ouvido, ronco durante o sono e opacidade da córnea. Apesar da doença ter um diagnóstico fácil, muitos pais acabam demorando para saber o que está acontecendo com a criança.
De acordo com a médica pediatra da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Carmem Mendes, até que o diagnóstico seja confirmado por um médico, as famílias passam por diversos profissionais, que geralmente investigam os sintomas isoladamente sem chegar a uma conclusão. O diagnóstico pode ser feito por médicos de diversas especialidades, o problema é que nem sempre eles têm o conhecimento necessário para isso, disse, acrescentando que de modo geral, um tempo precioso é perdido. Segundo ela, muitas crianças são diagnosticadas apenas após os três anos e algumas já apresentam a saúde seriamente comprometida nesta idade.
Para a presidente da Aliança Brasil de Mucopolissacaridose, Regina Próspero, que é mãe de um paciente com MPS, é preciso que os médicos desconfiem da doença. Quantas crianças poderemos salvar ou fazer com que sofram menos? Quantas mães terão o sofrimento diminuído se tivermos um diagnóstico precoce?, questionou. Ela acredita que no Brasil cerca de 100 crianças tenham MPS sem que as famílias saibam.
Após a identificação da doença - que pode ser feita através de um exame de sangue, ainda há outro caminho a ser percorrido: a busca pelos remédios. MPS não tem cura, mas existem medicamentos que podem melhorar muito a qualidade de vida dos pacientes que possuem alguns tipos
da doença. O desafio é que os remédios não são fornecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e o tratamento anual para um paciente de 15 Kg custa em torno de R$ 200 mil.
Munidas do diagnóstico e diante da Constituição Federal, que dá garantia de um atendimento à saúde a todos, os pais podem ingressar com uma medida judicial solicitando que o remédio seja cedido pelo Governo Federal. Com os medicamentos em mãos é possível possibilitar mais qualidade e até mesmo prolongar a vida do paciente.
O Instituto Eu quero Viver, criado para apoiar e divulgar a causa, lançou uma petição on-line com o objetivo de pressionar o governo a incluir o medicamento na lista do SUS. Atualmente o paciente não recebe nenhum apoio do governo se não entrar na Jstiça, disse Bianca Rinaldi, atriz e presidente do Instituto. Um paciente que consegue o tratamento precoce pode ser produtivo na vida adulta, completa Regina Próspero.

