Devemos repensar preconceitos e tabus
Em tempos atuais, por mais que a sociedade se mostre "modernizada" em muitos aspectos, inclusive nas relações sexuais, ainda há muita desinformação e tabus, principalmente no que diz respeito à população idosa. A afirmação é da psicóloga, professora e pesquisadora sênior da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Mary Neide Damico Figueiró, que se dedica ao tema de educação sexual há 30 anos.
"Vivemos sob a influência de uma repressão que vem de longa data e que também está relacionada à religião, que sempre associou o sexo apenas com procriação. Se olharmos para a população idosa, a questão da sexualidade é ainda mais engessada porque são pessoas que vieram dessa cultura permeada pela ideia do não pode ou é pecado. As pessoas que estão hoje com 60 anos ou mais cresceram com a ideia de que idoso não faz sexo", analisa.
Ela afirma que a continuidade na prática do sexo possibilita à mulher continuar tendo lubrificação vaginal. "A falta da penetração implica em desenvolvimento de secura das paredes da vagina. O uso de um pênis artificial ajudaria, também, neste sentido, tanto em situação de masturbação (solitária) quanto numa relação com par", destaca. Mary Neide complementa que a atividade física regular - para homens e mulheres - funciona como estímulo para aumentar o desejo e o desempenho sexual.
A psicóloga ainda avalia que o fato da sexualidade ser hoje mais liberal em alguns aspectos não significa necessariamente um progresso. Para a psicóloga, a sociedade saiu de um extremo para outro, onde tudo é permissivo e sustentado pelo imaginário de que "quem não faz é careta".
"Todos necessitam de um espaço para repensar sua história, sua visão das questões da sexualidade. O equilíbrio seria uma postura de conhecimento a respeito da importância do sexo na vida das pessoas e isso é possível através da leitura de matérias de jornais e revistas de qualidade esclarecendo o tema de forma positiva", afirma.
Além disso, é preciso se permitir debater e expressar uma série de sentimentos de inseguranças e medos, tanto individualmente quanto em grupo. "Todos nós temos necessidade de afeto, de toque, de estar próximo. Quando se tem isso em uma profundidade maior com o parceiro, há um ganho na autoimagem, na satisfação. Os idosos têm a possibilidade de sentir, sim, prazer sexual, e isso é fundamental para o bem-estar físico e emocional. Obviamente, não com uma performance de uma pessoa jovem, mas terá alternativas nas formas de obter prazer", argumenta.
E assim, como em todos os aspectos da vida, é relevante se manter socialmente ativo, dentro das possibilidades de cada um, pois isso reflete também no desejo de fazer sexo. "Temos que procurar viver com maior qualidade de vida, prazer, alegria. O idoso deve acreditar que a vida sexual pode ser vivida com os limites da idade. Esse lado pessoal de confiar no desejo garante um êxito maior na relação sexual. Precisamos nos reeducar, repensando valores, sentimentos, preconceitos e tabus e nos abrir para uma compreensão sexual de uma forma maior, ou seja, aberta a conhecer mudanças", conclui. (M.O.)




