Deu na capa da Folha: ''Londrina faz 100 anos e é a primeira do Sul do País''. A notícia empolgou os londrinenses naquele 10 de dezembro. Em pouco tempo a cidade foi tomada por uma maré de positivismo intenso, que ultrapassou as barreiras físicas da cidade.
E não era para menos. A reportagem de capa demonstrava, na prática, o sucesso de uma cidade ainda em crescimento e centrada no futuro. Ora, em apenas 100 anos de história, Londrina chegava ao topo do sucesso graças à luta de seu povo, que não economizava trabalho e suor para ter uma vida de qualidade e sem sufoco.
''Tenho um trabalho digno, consigo ter paz e acesso ao lazer e à saúde em Londrina. Que mais eu quero de uma cidade?'', eram as palavras de um vendedor autonônomo entrevistado pela reportagem. Nas suas ponderações, explicitava o prazer de caminhar no Zerão, ao final do dia, juntamente com outros milhares de londrinenses. ''É uma área de lazer fantástica, bem iluminada, limpa e segura. Há de tudo para se fazer. Pode-se correr, andar, jogar bola, vôlei, brincar com as crianças e ainda ouvir música da melhor qualidade nos fins de semana. É um centro de lazer completo, no centro da cidade'', dizia o vendedor.
Outros londrinenses, orgulhosos como nunca, preferiram salientar o lado seguro da cidade: ''Vim para Londrina por causa da violência que assombrava o País. Encontrei aqui a paz que tanto queria para a minha família. Há policiais eficientes, educados e bem instruídos. O policiamento é realmente intensivo e nos passa uma sensação de proteção. Jamais pensei que iria acabar com o medo que tinha, tanto da polícia quanto de ladrões'', era o que contava um comerciante, que há 5 anos havia trocado São Paulo pela maior cidade do Sul do País.
Em outras páginas da matéria, empresários e executivos elogiavam o poder econômico de Londrina. ''Investir aqui é sinônimo de lucro e crescimento. O alto nível da mão de obra londrinense reflete diretamente na qualidade de nossos produtos, um diferencial importante no mercado de hoje'', explicava o diretor de uma empresa de confecções, responsável pelo emprego de mais de 3 mil trabalhadores. Para um comerciante da área central, Londrina despontava no cenário econômico graças ao potencial de consumo. ''O londrinense está ganhando bem e gastando o dinheiro aqui, na própria cidade. A oferta de produtos melhorou e não é preciso sair para encontrar as novidades. Isso sem falar dos preços, mais acessíveis do que os praticados nas capitais'', diagnosticava.
O positivismo e a esperança atingiu até as camadas mais pobres da cidade, que sentiram na prática a melhoria dos serviços básicos. ''Já sofri muito na fila de espera do hospital. Antes, ficavam superlotados, não tinham remédios e eu era forçada a voltar para casa sem ser atendida. Isso já não existe mais'', relembrava uma dona de casa da Zona Sul, dos tempos que passou por poucas e boas no passado, diante de um estado grave de dengue hemorrágica. Além da melhoria na saúde, durante os 100 anos, Londrina obteve uma sensível evolução na educação e habitação. ''Com trabalho, consigo pagar minha casa e sustentar a família. A escola gratuita e bem estruturada me dá um sossego a mais no final do mês. Agora posso até para economizar'', comentava um motorista de ônibus.
Na política, a mudança também foi radical. A cidade respirava honestidade e os seus comandantes - prefeito, secretários, vereadores, delegados, juízes e outros homens de importância - conquistaram a confiança da população com o trabalho justo, sem interesses e de extrema transparência. Esquemas de corrupção eram tratados com seriedade. Além de punidos, os envolvidos eram obrigados a devolver o dinheiro desviado. A ação provocou na política o mesmo efeito causado no combate à violência: poucos se atreviam a burlar as leis com medo das punições severas.
E foi assim que a matéria de capa da Folha daquele 10 de dezembro entrou para a história. Sem fórmulas mágicas, sem discursos, sem bravatas. Uma conquista feita através de ações eficazes, coerência e responsabilidade. Não só de um, mas de todos os habitantes de Londrina, a maior cidade do Sul do Brasil.

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