Uma equipe internacional descobriu um gene que aumenta em cerca de três vezes o risco de Alzeheimer. O fator genético está sendo considerado o mais potente para o desenvolvimento da doença já identificado nos últimos 20 anos. A descoberta foi relatada na edição online do New England Journal of Medicine.
Os pesquisadores usaram novas técnicas de sequenciamento para chegar ao gene TREM2. Um sequenciamento adicional do TREM2 foi então realizado, em parte pela cientista Aleksandra Wojtas, no laboratório de Rosa Rademakers, da Clínica Mayo, na Flórida(EUA). Os estudos levaram à identificação de um conjunto de variantes raras do TREM2, que ocorreram com maior frequência em 1092 pacientes com doença de Alzheimer, do que em 1107 pessoas saudáveis que compunham o grupo de controle.
A variante mais comum, a R47H, foi então avaliada em estudos suplementares de uma grande quantidade de pacientes da Alzheimer e de pessoas no grupo de controle. A cientista Minerva Carrasquillo, do laboratório de Steven Younkin, da Clínica Mayo, em Jacksonville, encabeçou a genotipagem direta e a análise da variante R47H em amostras de DNA de 1994 pacientes com doença de Alzheimer e de 4062 pessoas do grupo de controle - indivíduos que não têm doença de Alzheimer. Os pacientes e os participantes do grupo de controle foram avaliados por médicos da Clínica Mayo, sob a liderança dos coautores do estudo, os médicos Dennis Dickson, Neill Graff-Radford e Ronald Petersen. Esses estudos suplementares mostraram, de forma inequívoca, que a variante R47H do TREM2 aumenta substancialmente o risco de doença de Alzheimer.
''A variante do TREM2 pode ser rara, mas é potente'', diz Minerva Carrasquillo. ''Em nossa série, ela estava presente em 1,9% dos pacientes com Alzheimer e apenas em 0,37% das pessoas do grupo de controle. Esse forte efeito compete com o da variante genética, já bem estabelecida, chamada APOE 4, que foi observado em nosso estudo e nos estudos independentes, que foram publicados conjuntamente. A variante R47H não é inteiramente penetrante áá- significando que nem todas as pessoas que têm a variante vão desenvolver a doença de Alzheimer e que nas pessoas que desenvolvem a doença outros genes e fatores ambientais têm uma participação - mas como a APOE 4 ela aumenta significativamente o risco''.
Steven Younkin comenta: ''A R47H é a primeira variante 'goldilocks' a apresentar uma forte associação com a doença de Alzheimer''. Agora sendo identificadas por novas tecnologias de sequenciamento, as variantes goldilocks são um tipo importante de variantes raras, assim chamadas porque elas estão na medida certa, não tão raras e fortes o suficiente para apresentar associação altamente significativa em estudos genotípicos suplementares bem capacitados, como os que são realizados na Mayo.
Participaram do estudo pesquisadores de 44 instituições de diversas partes do mundo, incluindo dez pesquisadores da Clínica Mayo, do campus da Flórida e de Minnesota. O estudo foi liderado pelo pesquisador do Instituto de Neurologia da University College London John Hardy, que foi professor na Clínica Mayo de Jacksonville, Flórida.

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