Imagem ilustrativa da imagem Dermatite atópica: alta prevalência e fácil identificação


São Paulo - Meu sobrinho foi diagnosticado com dermatite atópica ainda bebê. Apresentava pele ressecada e áspera, sangramento nas dobras dos braços e sentia muita coceira. O corpo dele apresentava uma vermelhidão característica da doença e era claro o desespero com a coceira. Ver tamanho desconforto e não saber como agir afligia pais, tios, avós e demais familiares.

Bastante prevalente na infância, a dermatite atópica atinge de 10% a 20% da população. Geralmente, os casos mais severos vão acompanhar os pacientes até a vida adulta. No caso do meu sobrinho, o tratamento adequado proporcionou o controle da enfermidade. No entanto, como trata-se de uma doença crônica, os sintomas foram controlados, mas têm que ser monitorados com frequência.

Recentemente, o laboratório Sanofi-Genzyme, que estuda e produz medicamentos que combatem a dermatite atópica com imunobiológicos, promoveu a instituição do Dia da Dermatite Atópica, celebrado pela primeira vez neste ano, em 23 de setembro. A ação é uma parceria com a SBD (Sociedade Brasileira de Dermatologia) e a Asbai (Associação Brasileira de Alergia e Imunologia). Segundo Thomas Gierse, diretor da Sanofi-Genzyme, de 1% a 3 % dos casos se tornam mais severos e essa condição estará sempre presente na vida dessas pessoas. "Para fazer uma correlação, a artrite reumatoide tem 0,5% de prevalência e é bem significativa", compara.

A dermatologista Ariana Campos Yang, do Serviço de Imunologia Clínica e Alergia do HC/FMUSP (Hospital de Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo) e professora da disciplina de alergia e imunologia da FCM/Unicamp (Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas), aponta que a dermatite atópica é fácil de identificar. "Não é preciso fazer exames laboratoriais. É olhar e pronto. A pele fica vermelha, áspera, com bolinhas, descamando e em locais característicos típicos como nas dobras das pernas ou dos braços. Nos adultos ela atinge o pescoço e nas crianças, as bochechas", observa. A doença provoca bastante coceira e pode atingir o corpo todo, com exceção do nariz.

"Todo mundo que teve problema de pele quer ficar livre da doença o mais rápido possível, mas com a dermatite atópica o primeiro aspecto é alinhar essa expectativa com a realidade de que terá que fazer um tratamento contínuo. (…) Em muitas crianças com quadros leves os sintomas desaparecem, mas os quadros graves tendem a continuar na vida adulta", reforça.

Yang acrescenta que a doença pode afetar pacientes de todas as idades. E por ser uma doença com sintomas visíveis, pacientes podem ter que lidar com problemas como frustração, vergonha da aparência, desejo de esconder-se (cobrir a pele) e isolamento social. Outras consequências possíveis são ansiedade, depressão, distúrbio do sono, irritabilidade e deficit de atenção/hiperatividade e até tentativa de suicídio.

De acordo com Yang, nem todos os pacientes são responsivos a estratégias de terapia e os efeitos colaterais de tratamentos sistêmicos são "temíveis". Ela acrescenta que os medicamentos que atuam sobre disfunção imunológica, os imunobiológicos, são os mais promissores para o controle da doença.

Como a dermatite atópica provoca coceira, e ao se coçar a pessoa machuca a pele. Com isso, o local fica mais frágil e mais propício para inflamações, o que estimula a disfunção imunológica. "Então ocorre um círculo vicioso", aponta.

Vários fatores influenciam nesse ciclo vicioso: exposição irritante, disfunção imunológica, hipersensibilidade, exposição a alérgenos, reação alérgica, inflamação cutânea, prurido, defeitos de barreira, infecções cutâneas e estresse.

Yang orienta que os pacientes devem evitar banhos quentes e demorados e optar por usar pouco sabonete, além de hidratar a pele logo nos três primeiros minutos após o banho.
O repórter viajou a convite da Sanofi-Genzyme

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