Dependência substancial reflete falta de limites
A chefe da disciplina de Medicina e Sociologia do Abuso de Drogas, do Departamento de Psicobiologia da Unifesp, Denise De Micheli, orientou o estudo que aponta a dependência tecnológica entre adolescentes e avalia o momento como oportuno para exercemos nossa capacidade de decisão e de controle da situação. "Estamos diante de uma geração que utiliza os meios tecnológicos como recurso principal para lidar, superficialmente, com suas dificuldades de relacionamento", afirma.
Segundo ela, a pesquisa também relacionou o aspecto familiar. Isto é, 44% dos adolescentes que apresentavam problemas significativos em diversas áreas de sua vida, devido ao uso excessivo de internet, mencionaram ter um relacionamento regular com seus pais/responsáveis.
"A presença de um bom relacionamento familiar - que inclui cuidado, monitoramento, atenção à vida dos filhos e afeto - pode representar um fator protetivo em relação ao uso inadequado de tecnologias e outros comportamentos afins", ressalta.
No estudo, 82% dos adolescentes de escolas particulares mencionaram não ter limites de uso definidos por seus responsáveis, em oposição aos 30% dos estudantes de escolas públicas, que possuem limites de uso bem definidos. "Essa limitação porém, está relacionada mais ao custo do plano de internet do que a uma preocupação genuína com o uso excessivo", comenta.
O hebiatra Walter Marcondes Filho salienta que há um erro na criação quando os pais não dão limites para os filhos. Ele cita que muitos preferem dar coisas para que os filhos não os incomodem ou até mesmo para não saírem à noite.
"Os pais acabam se esforçando exageradamente para comprar os melhores aparelhos porque é mais fácil para eles manter os filhos em um certo isolamento, seja por medo, insegurança ou falta de tempo para se dedicar. É preciso estimular o adolescente e não ficar omisso", diz.
Para ele, a falta de limites começa desde cedo. "Hoje, crianças aos 7, 8 anos já manipulam muito bem esses aparelhos e os pais acham muito engraçadinho. Embora muitos cientistas afirmem não ser um comportamento tão maligno, eu o considero, pois a criança tem que brincar com atividades criativas, que puxem a inteligência delas", completa. (M.O.)




