Demência: a nova vilã da saúde mundial
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segunda-feira, 06 de janeiro de 2014
Michelle Aligleri<br>Reportagem Local 
Cerca de 44 milhões de vítimas. Esta é a estimativa da quantidade de pessoas que apresentam a doença de Alzheimer hoje. Apesar de alarmante, não é este número que está tirando o sono das autoridades e fez com que os ministros da Saúde dos países que integram o G8 (grupo das oito nações mais poderosas do mundo) se reunirem para discutir a situação das demências no cenário mundial. O que mais preocupa é a expectativa apontada para o alcance da doença em 2050: 135 milhões de pacientes.
Um estudo realizado pela Associação Internacional de Alzheimer (Alzheimer Disease International ADI) aponta que esta doença é a principal causa de demência, sendo responsável por 60% a 70% dos casos no mundo. O dado levantado pelo documento que mais chama atenção é o que indica que, nos últimos três anos, aumentou em 22% os casos de demência. Os líderes mundiais entenderam que o combate ao Alzheimer e às demências de modo geral precisa ser feito com a parceria entre países, empresas e cientistas, da mesma forma que acontece com o HIV e com o câncer.
O mesmo estudo revela ainda que o alto índice de crescimento da demência se configura um dos "maiores desafios de saúde pública de nossa geração".
A Organização Mundial de Saúde (OMS) também está mobilizada sobre o tema e vem há alguns anos pedindo aos governos de todo o mundo para que desenvolvam um plano nacional para combater as demências, visando, principalmente, o diagnóstico precoce.
Apesar de alguns avanços científicos no estudo da doença terem sido registrados nos últimos anos, ainda não existe tratamento efetivo ou cura. "Atualmente o diagnóstico é baseado em sinais clínicos, mas alguns exames laboratoriais e de imagem podem ajudar", explica o chefe do serviço de Neurologia do Instituto de Neurologia de Curitiba e membro da Sociedade Brasileira de Neurologia, Pedro André Kowacs. O médico acrescenta que a demência é definida como a perda progressiva de funções cerebrais já estabelecidas e previamente adquiridas que comprometem mais do que três funções cerebrais, como memória, orientação, função executiva e outras.
O cenário que envolve a incidência da doença de Alzeimer fica pior quando nos deparamos com o envelhecimento da população mundial, que está diretamente relacionado ao aumento do número de casos de demências. A idade é um fator de risco efetivo para o aparecimento do Alzheimer. De acordo com a Associação Brasileira de Alzheimer, após os 65 anos, o risco de desenvolver a doença dobra a cada cinco anos.
A demência se tornou agora um desafio em escala planetária e um dos maiores inimigos a serem combatidos pela indústria farmacêutica. Para interromper o avanço da doença, que é desencadeada pela morte dos neurônios e consequentemente pela interrupção da comunicação entre eles, os cientistas declaram que o primeiro passo é encontrar uma maneira de fazer o diagnóstico quase dez anos antes de aparecerem os primeiros sintomas clínicos. A justificativa é que uma vez debilitados, os neurônios e as regiões do cérebro afetadas pela demência, não podem ser recuperados.
Prevenção
Embora as causas do Alzheimer não sejam totalmente conhecidas, a orientação para evitar a doença é exercitar o cérebro. Um estudo dos cientistas da Universidade da Califórnia em São Francisco (EUA), publicado no ano de 2011, sugere sete medidas que podem ajudar na prevenção da doença de Alzheimer. Não fumar, praticar atividade física, prevenir o diabetes, combater a depressão, manter a pressão arterial em níveis adequados, alimentar-se adequadamente e aumentar o nível de educação são fatores que reduzem o risco ou retardam o aparecimento da doença de Alzheimer.
Os estudos realizados por estes cientistas mostraram que metade dos casos de Alzheimer no mundo parecem ter uma relação direta com o estilo de vida e com os fatores elencados acima. Por este motivo os pesquisadores defendem que mudanças simples nos hábitos das pessoas podem apresentar um grande impacto no número de casos de Alzheimer com o passar dos anos.


