DEMÊNCIA - Um laço entre cuidado e amor
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domingo, 06 de setembro de 2015
Micaela Orikasa<br>Reportagem Local 
No Oscar 2015, quando Julianne Moore conquistou a estatueta de melhor atriz, pelo papel interpretado no filme "Para Sempre Alice", ela frisou que uma das maravilhas sobre o cinema era "que ele nos faz sentir vistos, e não sozinhos". No longa-metragem, ela é uma mulher de meia-idade ativa, professora universitária renomada, casada e mãe de três filhos. A história é baseada no livro homônimo da neurocientista Lisa Genova e conta a evolução de um tipo raro e precoce de Alzheimer enfrentado por Alice.
O fato é que levar um tema tão real da atualidade para as telonas foi um ganho além da premiação. Foi um grande passo para "empurrar" a sociedade à reflexão sobre o Alzheimer. Pois se, a cada ano, a expectativa de vida da população aumenta, está mais do que na hora de encararmos esta enfermidade.
E o momento não podia ser mais oportuno. Setembro é o mês mundial da doença de Alzheimer e o dia 21 é um marco para a conscientização. Para lembrar essa luta, foi escolhida a cor lilás.
Qualquer pessoa pode ter a doença, pois ela está relacionada ao processo de envelhecimento. O médico geriatra Marcos Cabrera esclarece que o Alzheimer provoca transformações neurológicas importantes, progressivas e irreversíveis.
Essas alterações começam priorizando algumas funções como a memória, mas com o avançar da doença, vão interferir em outras atividades neurológicas. "Todos nós temos esquecimentos e isso é normal. Agora, quando a memória ou a função neurológica passa a interferir verdadeiramente em nossa vida, é o momento de investigar", comenta.
Por se tratar de uma doença que impacta muito o modo de viver das pessoas, ela acaba envolvendo não só o doente, mas todos ao seu redor. A professora universitária Elaine Mateus recorda o susto que foi receber a notícia de que a mãe, aos 73 anos, era portadora de Alzheimer.
"Agora que sei da doença, percebo que os sinais estavam bem claros. Hoje, minha motivação é exatamente buscar e compartilhar informações, como uma forma de dar mais qualidade de vida às pessoas", diz.
Silenciosa e sorrateira, como Elaine mesmo a descreve, a doença de Alzheimer requer muito mais comprometimento da família e/ou cuidador, do que do próprio paciente. E esse acolhimento começa sempre com a informação.
"Quando a gente entende os estágios da doença e quais serão as mudanças, conseguimos criar laços e estabelecer uma empatia com a pessoa. A gente passa a entender que aquela pessoa que amamos, ainda está lá, escondida por uma doença que vai afetando sua capacidade de entender o que está acontecendo", responde.
Comprometida, Elaine deu um passo ainda maior este ano. Ela envolveu o Grupo de Estudos sobre o Envelhecimento (Gesen) da Universidade Estadual de Londrina (UEL), e a Pastoral da Saúde, entre outros apoiadores, como as secretarias municipais do Idoso e de Saúde e a Câmara da Mulher Empreendedora.
Juntos, lançam pela primeira vez em Londrina, a campanha Setembro Lilás com o objetivo de conscientizar sobre a doença de Alzheimer e seus impactos sociais, divulgando dados, informando sobre os sinais e desafiando estigmas.
Para isso, durante todo o mês, uma grade de programação é aberta a toda a comunidade, gratuitamente (leia mais nesta página). "É uma forma de dizer que precisamos e podemos fazer mais. Ainda existe uma grande dificuldade em entender que a transformação que acomete a pessoa cotidianamente, não é dela mesma, mas um resultado da doença", salienta.


