Atuando há mais de dez anos com idosos, a assistente social e gerontóloga Liz Clara de Campos quis transformar a realidade de portadores de Alzheimer e seus cuidadores.
Em 2013, deu início ao Projeto Memória e Comunicação, na Policlínica Municipal. Para cada grupo são realizados dez encontros com atividades de estímulo cognitivo, possibilitando a melhora na qualidade de vida das pessoas idosas.
"Pesquisas já mostram que o idoso com Alzheimer tem capacidade para memorizar e melhorar o aspecto cognitivo. Estimular a memória em conjunto com os medicamentos é um tratamento inovador", justifica.
Os primeiros encontros focam no familiar e cuidador, trabalhando o aspecto de doença, angústias, sentimentos. A ideia, segundo Liz, é trabalhar esses indivíduos para que possam atuar com o idoso em casa.
"Romper estigmas, esclarecer dúvidas e compreender a importância do estímulo são importantes porque também é uma forma de evitarmos maus tratos e, principalmente, de manter a dignidade das pessoas", sustenta.
Segundo Liz, a primeira orientação é buscar o conhecimento sobre a doença. Com isso, será possível verificar em que estágio o idoso está e que tipos de atividades ele gosta de fazer. Isso inclui, por exemplo, escutar músicas ou dançar.
Em segundo lugar, é importante criar uma rotina das tarefas e manter o ambiente organizado. "Uma casa com muita bagunça ou coisas misturadas, dificulta o idoso a procurar algo", completa.
Ensinar o idoso a usar o calendário também é positivo. "O segredo está em ensiná-lo onde buscar a informação. Em casos avançados, colocar uma foto do vaso sanitário no banheiro, assim como a imagem de um prato de comida na cozinha, auxilia bastante, pois eles se perdem dentro do ambiente familiar", indica.
Jogos de memória, que estimulam a concentração e atenção, são ótimas ferramentas, mas não se deve optar por jogos muito infantis ou com peças pequenas. Outra opção são atividades com cores e a leitura.
Liz ressalta que tudo que ajude a estimular a memória é bem-vindo. No entanto, nada disso pode ser frustante para o idoso, assim como a forma de tratamento não pode torná-los dependentes antes da hora. "É fundamental estimular o idoso a levantar e pegar um copo de água, por exemplo. Não se deve fazer tudo por ele e sim estimulá-lo a fazer tudo que pode. Fazer é diferente de monitorar", diz.

SERVIÇO
Mais informações na Policlínica Municipal, que fica na Av. Pres. Castelo Branco, 540, ou pelo telefone: (43) 3379-0781

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