Qualidade de vida, ausência de efeitos colaterais e a chance de minimizar a velocidade de progressão do tumor. Qual paciente com câncer de mama metastático (quando o tumor já atingiu outros órgãos do corpo), não almeja trilhar esse caminho?
Apesar de todos saberem essa resposta, poucos podem viver essa experiência. É justamente esse ponto de partida que tem levado entidades e pacientes a lutarem pela incorporação de medicamentos inovadores no Sistema Único de Saúde (SUS). "É uma briga diária dos oncologistas que trabalham no SUS. Isso porque surgiram medicamentos com benefícios, mas estamos defasados por mais de uma década em relação ao tratamento de doença metastática", salienta a oncologista Karina Vianna, que atua no Hospital de Clínicas de Curitiba.
Ela participou na semana passada, em Londrina, do Encontro Paranaense CACONS/UNACONS que debateu políticas para os cinco cânceres mais incidentes no Estado, entre eles o de mama metastático.
"Existe uma defasagem no SUS para tratamento mais efetivo com pacientes que têm metástase. E a mensagem que queremos trazer para todos é que é possível viver bastante tempo e com qualidade", acrescenta.
Estimativas do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca) revelam que, neste ano, o Paraná pode registrar 3.730 novos casos de câncer de mama feminino, sendo que em uma projeção nacional, esse número chega a 57.960.
Hoje, aproximadamente 50% das pacientes atendidas no SUS descobrem a doença em estágio metastático e, segundo a especialista, isto ocorre devido à dificuldade de se conseguir o diagnóstico rapidamente, assim como o tratamento.
Ela explica que o câncer de mama tem várias etapas, começando pela prevenção, estimulando o autoexame de mamas e oportunizando a realização de exames específicos, como a mamografia.
"Outra etapa é o diagnóstico o mais rápido possível, através da biópsia. Em seguida, vem o tratamento. Existe uma lei para que o tratamento seja feito até dois meses, que, no caso, seria cirurgia ou quimioterapia", diz. Em casos de tumor localizado, o SUS disponibiliza o medicamento trastuzumabe (herceptin) como adjuvante para prevenção, mas para doença avançada, ainda não.
A presidente da Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (Femama), Maira Caleffi, lamenta que o "tempo de vida de pacientes com metástase tratadas no sistema privado é cerca de cinco vezes maior em comparação àquelas atendidas pelo SUS. Isso mostra que o sistema público de saúde ainda não é o ideal no tratamento do câncer de mama metastático."

INCORPORAÇÃO E
JUDICIALIZAÇÃO
A entidade levou à Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, também na semana passada, uma série de debates que vem realizando em diversas cidades do País, visando assegurar que novos tratamentos disponíveis na rede de saúde privada também sejam incorporados na rede pública.
No Paraná, a ideia inicial é criar um protocolo de tratamento, que acrescente novos medicamentos. "Nos Estados de Santa Catarina e São Paulo, o trastuzumabe já foi incorporado para casos avançados da doença, via governo estadual. Além de ser uma forma de obter o medicamento com um menor custo, terá impactos significativos no que chamamos de judicialização da saúde", acrescenta Andrezza.
Segundo informações da Femama, de 2012 a 2014, os gastos de judicialização, isto é, o número de ações judiciais de pacientes que buscam aquisição a tratamentos não inclusos na rede pública, aumentaram 129% no País.

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