Decisão da gestante deve ser respeitada
Respeitar a autonomia da paciente dentro das suas culturas e crenças e esclarecer a situação da saúde dela e do feto. Estas são as primeiras obrigações do profissional que acompanha uma paciente gestante e estes princípíos devem ser mantidos quando se identifica que o feto que ela espera tem anencefalia. As informações são da enfermeira e coordenadora do Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Estadual de Londrina, Alexandrina Aparecida Maciel Cardelli.
Segundo ela, é prática dos médicos informarem as pacientes sobre os riscos que uma gestação traz. ''Profissional e paciente nunca sabem exatamente o que vai acontecer, mas as alterações no feto diagnosticadas através de exames devem ser repassadas imediatamente para a paciente'', disse acrescentando que em casos sérios como anencefalia, o profissional deve fazer o máximo para ''acolher'' a paciente.
''Acolhimento é enxergar a paciente como um ser integral. A nossa função é esclarecer a situação dentro do que a ciência traz de conhecimento, mas não deixar de vê-la como mulher'', explicou. Alexandrina destacou que a interrupção terapêutica da gestação envolve uma discussão ética, principalmente porque cada pessoa tem uma crença e uma cultura que devem ser respeitadas.
Um dos dilemas éticos é chegar a uma situação de consenso, já que o profissional, que vai dar a notícia e orientar a gestante, também possui crenças e valores. ''O médico pode dar a sua opinião pessoal, mas deve manter a neutralidade, mostrar as opções existentes sem induzir a paciente. Esta é uma decisão que cabe a ela'', disse. Alexandrina assuniu que é muito difícil para o profissional se manter neutro diante de uma situação assim. (M.A.)




