De olho nos batimentos cardíacos
PUBLICAÇÃO
domingo, 20 de setembro de 2015
Micaela Orikasa<br>Reportagem Local 
Medir a frequência cardíaca é simples e pode revelar muito sobre a saúde do coração. Simples porque basta pressionar o pulso para perceber alterações nos batimentos e importante porque essa percepção pode ser um indicativo de arritmias e doenças cardíacas.
É justamente esse o recado que cardiologistas de todo o País vão repassar à população na campanha "Tome uma Medida de Pulso", que acontece na próxima quarta-feira, Dia do Portador de Marca-passo.
Em Londrina, médicos, residentes e acadêmicos estarão reunidos em dois locais: Royal Plaza Shopping e Hospital Universitário (HU), a partir das 10 horas. Eles darão orientações sobre como medir o pulso corretamente, junto com a distribuição de cartilhas e esclarecimento de dúvidas. Haverá ainda exibição de filmes explicativos e exposição de marca-passos.
"Tudo que o indivíduo puder fazer em casa para um diagnóstico, melhor. Ao medir o pulso, ele poderá sentir se os batimentos estão lentos, acelerados ou até falhando. Tudo isso associado a outros sinais, como tontura, desmaios e cansaço excessivo, pode indicar que algo está errado com a saúde e é preciso investigar", salienta o cardiologista em Londrina, Claudio Fuganti. Ele é presidente da Associação Brasileira de Arritmia, Eletrofisiologia e Estimulação Cardíaca Artificial/Departamento de Estimulação Cardíaca Artificial da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular (ABEC/DECA) e explica que o número de batimentos cardíacos considerado normal está entre 60 e 100 por minuto, quando a pessoa está em repouso.
"Vamos imaginar que o paciente, parado, tenha um disparo anormal do coração. Ele mede o pulso e tem 140 batimentos por minuto. A orientação é correr para o pronto-socorro e fazer o registro do eletrocardiograma, pois a maioria da população tende a esperar em casa para ver se esse mal-estar passa", aponta.
Fuganti também explica que quando se trata de insuficiência cardíaca, não é possível sentir uma diferenciação pelo pulso. "Essa doença se caracteriza pelo inchaço e enfraquecimento do coração. A pessoa sentirá normalmente falta de ar, muito cansaço ao fazer esforço e inchaço nas pernas", completa.
Atualmente, são 22 milhões de portadores de insuficiência cardíaca em todo o mundo, mas nem todo paciente com um "problema" de coração terá a indicação de uso do marca-passo. No entanto, mais de 300 mil brasileiros utilizam o dispositivo e, a cada ano, cerca de 49 mil novos aparelhos são implantados pelo SUS, convênios e particulares.
"Outro ponto forte da campanha é esclarecer informações sobre o implante cardiovascular, limitações para prática de esportes e possibilidades de interferências. Ainda existem muitos mitos", ressalta.
O bancário aposentado Walter Rosa, de 74 anos, usa o próprio exemplo para mostrar que é possível ter uma vida perfeitamente normal, mesmo portando um marca-passo. Há um ano ele vive com o dispositivo no peito e comemora a boa saúde.
Três anos antes do implante, Rosa sentia todos os sinais decorrentes de um batimento lento do coração. "Eu sofria com sudorese, insônia e tontura a ponto de me sentir inseguro para dirigir ou caminhar. Hoje, a vida é outra. Faço caminhada e alongamento e me sinto completamente saudável", diz.
SERVIÇO
Mais informações no site www.deca.org.br


