De olho no crescimento das crianças
PUBLICAÇÃO
domingo, 08 de julho de 2012
Micelle Aligleri <br> Reportagem Local 
Diante de um grupo de crianças, geralmente a mais alta ou mais baixa chamam atenção. Apesar disso, nem todos os pais se preocupam com a velocidade do crescimento dos filhos. Os especialistas alertam que eles devem, sim, estar atentos a esta questão, já que o crescimento infantil é um dos melhores índices de saúde de uma criança e envolve uma série de fatores importantes.
A atenção dos pais em torno do desenvolvimento dos filhos deve começar ainda durante o pré-natal. Parto, amamentação e alimentação adequada na primeira infância também são importantes para que a criança tenha um crescimento saudável dentro das medidas esperadas para cada idade.
Diante de qualquer dúvida sobre o desenvolvimento da criança, o pediatra deve ser consultado. Se o crescimento estiver ocorrendo em excesso ou em atraso, o endocrinologista deve realizar exames e identificar a causa do problema. O médico endocrinologista Guilherme Marquezini explicou que é frequente as mães atrasarem a avaliação médica nestes casos. ''Muitas vezes ela percebe que o filho é o mais baixo da turma, mas acredita que é normal'', disse.
Segundo ele, quanto mais cedo o endocrinologista for procurado, melhor. ''É comum a mãe chegar ao consultório preocupada com a filha de 12 anos que tem 1,48 cm, mas em alguns casos não há muito o que fazer. O tratamento deveria ter começado seis anos antes'', esclareceu. Ele alertou que os pais devem acompanhar o crescimento dos filhos de perto e compará-lo aos colegas da mesma idade. ''A criança precisa ser avaliada se estiver fora do padrão médio. Esta é uma tarefa do pediatra, que encaminha ao endócrino se for necessário''.
Mais de 90% das situações relacionadas à altura têm influência genética dos pais. Marquezini disse que pode ser que a criança tenha um tio muito alto, ou uma avó muito baixa, mas geralmente quem define a altura da criança são os pais. Diante de um problema de crescimento, podem ser indicados medicamentos que aceleram ou atrasam este processo.
Fatores
O médico endocrinopediatra Claudinei da Costa disse que alimentação adequada, sono de qualidade e atividades físicas aeróbicas são os três fatores mais importantes para que a criança consiga desenvolver todo o seu potencial genético. ''A base da estrutura final da criança é genética, mas ela também sofre influência do estilo de vida que leva. Atividades aeróbicas e sono adequado são importantes para a liberação do hormônio do crescimento'', disse.
Uma alimentação rica em vitaminas foi apontada pelo médico como fundamental. ''Muitos pais reclamam que as crianças não crescem, mas quando vamos investigar identificamos que elas não comem adequadamente. A compra de alimentos errados pelos pais acaba resultando no apetite seletivo do filho e isso faz com que a criança mate a fome com alimentos que não possuem os nutrientes necessários para o crescimento'', justificou o médico.
Ele explicou que nem sempre a criança pequena está crescendo pouco, pode ser que ela tenha fatores genéticos que limitam este crescimento. Por outro lado, crescer muito rápido nem sempre é bom porque pode indicar algum distúrbio hormonal.
Doenças
Algumas doenças também podem interferir na aceleração ou atraso do crescimento. As principais são: alterações na tireóide, doença celíaca, alterações no hormônio do crescimento e doenças do metabolismo. Diante de um quadro como este, um exame de idade óssea é recomendado - o raio-x permite que o médico visualize o potencial de crescimento desta criança.
Em alguns casos a criança apresenta baixa estatura e não possui nenhum problema de saúde relacionado. Nestas situações o endocrinologista disse que o hormônio do crescimento pode ser indicado, mas a medicina ajuda até certo ponto. ''Pode ser que se consiga um aumento de quatro a sete centímetros na altura final da criança, mas esta não é uma regra'', finalizou Costa.

