De olho no crescimento
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domingo, 17 de agosto de 2014
Micaela Orikasa<br>Reportagem Local 
A fase escolar costuma ser um período em que muitos pais passam a notar os sinais de comportamento e desenvolvimento dos filhos. Em geral, é justamente nesta época em que também se observa algum problema no crescimento das crianças.
Isso ocorre porque os pais e educadores começam a perceber que a criança não vem se desenvolvendo de forma igual às outras e somente a partir daí é que procuram orientação médica. O endocrinologista, pediatra e diretor executivo do Centro de Diabetes Curitiba, Mauro Scharf Pinto, observa que no Brasil existe um atraso no diagnóstico das deficiências hormonais.
Segundo ele, a média de início do tratamento costuma ser aos 10, 11 anos, quando o ideal seria aos 4. "Geralmente, os pais só vão perceber isso quando a criança passa a frequentar outro nicho social, onde possa ser comparada com outras da mesma idade", afirma, ressaltando que o diagnóstico já deveria vir do pediatra, nas medidas rotineiras. "Hoje em dia, o nível de qualidade do atendimento deixa um pouco a desejar, pois muitas vezes o pediatra deixa de colocar a criança em um gráfico porque está correndo para atender todos os pacientes."
Scharf explica que o hormônio do crescimento (GH, do inglês Growth Hormone) é uma substância que o corpo produz pela hipófise, uma glândula localizada no cérebro. Ele age em alguns receptores do organismo, fazendo com que a pessoa cresça, ou seja, que o ser humano se desenvolva.
O GH é importante para o crescimento desde os primeiros anos de vida até o fechamento das cartilagens dos ossos, que ocorre entre 15 e 20 anos, no final da puberdade. Em algumas situações onde ele está sendo produzido de forma insuficiente, seja por mutações genéticas, doenças, por traumatismos cranianos, tumores cerebrais ou de forma não conhecida (idiopática), a reposição faz-se necessária.
"É uma medicação injetável que se aplica todas as noites antes de dormir. É um tratamento de longo prazo, que pode ser de 4, 7 anos ou até finalizar o crescimento. A indicação é justamente para a criança que cresce menos do esperado para sua idade, que se encontra abaixo do seu potencial genético ou quando há alguma deficiência hormonal detectada", salienta Scharf.
De acordo com o especialista, o crescimento considerado normal, na fase pré-puberal, é de 4 a 6 cm por ano. Após o início da puberdade, por exemplo, com o desenvolvimento de sinais como pelos pubianos, essa velocidade deve aumentar para 6 ou 9 cm dependendo do sexo e da fase.
"A puberdade é um marco. Não existe limite, mas quanto mais cedo o tratamento for iniciado, melhor o resultado final. Para muitas meninas que chegam ao consultório após ter menstruado já não há nada a fazer, pois o tratamento não vai ter um efeito benéfico e a relação custo-benefício já não é mais apropriada", afirma.
Atualmente, o hormônio do crescimento também tem sido usado para outras indicações. Scharf cita como exemplo crianças que nascem pequenas para a idade gestacional. São bebês com menos de dois quilos e meio, menores que 45 cm e que não crescem espontaneamente até os 2 ou 4 anos de idade.
"Essas seriam as principais, mas há recomendações também para a síndrome de Turner, crianças com doença renal crônica ou síndrome de Prader-Willi. Para as situações de baixa estatura idiopática, é necessário analisar caso a caso para ver se haverá benefício da terapia", diz.
Conforme uma publicação da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), a deficiência do GH pode causar o nanismo, uma doença que se caracteriza pela baixa estatura e pelo pouco desenvolvimento dos ossos e cartilagens e que se manifesta a partir dos 2 anos.
Já quando o organismo produz esse hormônio em excesso, pode provocar um doença conhecida como "gigantismo", um crescimento desordenado, em especial nos braços e pernas, sendo acompanhado de crescimento correspondente na estatura. Pode surgir na infância ou na puberdade.
O medicamento está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) apenas para quem atende os critérios de doença e não, por exemplo, para quem deseja se tratar estaturalmente por estética. "Tem todo um protocolo", conclui o especialista.

