De olho na tireoide desde a infância
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domingo, 21 de fevereiro de 2016
Micaela Orikasa<br>Reportagem Local 
Ela tem a forma de uma borboleta, está localizada no pescoço e é uma das glândulas mais importantes do nosso corpo. A tireoide é uma peça-chave para nosso metabolismo.
Isso porque ela tem a missão de supervisionar e estimular órgãos e funções do organismo, através da produção de hormônios, como a tiroxina (T4) e triiodotironina (T3). "É como se ela fosse um maestro das nossas células", descreve Jorge Kim, especialista em doenças da Tireoide e Paratireoide, da Alira Medicina Clínica e Cirúrgica.
O médico explica que os níveis altos e baixos desses hormônios ocasionam duas principais doenças: o hipo e o hipertireoidismo. Basicamente, o hipo surge quando há uma deficiência do hormônio da tireoide e o hiper quando há o excesso. Estima-se que 15% da população acima de 45 anos sofra de problemas na tireoide.
Apesar dessas disfunções acometerem especialmente mulheres nessa faixa etária, não é raro os casos em jovens e crianças. Há pouco tempo, a atriz Monique Alfradique, de 29 anos, foi diagnosticada com hipotireoidismo e, desde então, faz acompanhamento nutricional e uso de medicamento diário.
Em Londrina, na casa da família Martins Depieri, os cuidados com Isabelli, de 4 anos, também são diários, com uma alimentação equilibrada e remédio para repor o hormônio.
Com o tratamento, que é muito semelhante ao dos adultos, Isabelli passou a ter mais energia no dia a dia e seu intestino voltou a funcionar. Rosana, a mãe, conta que os sintomas começaram a partir dos 3 anos, com sonolência, cansaço, queda de cabelo, intolerância ao frio e obstipação.
No pediatra, os resultados dos exames apontaram alterações no TSH (hormônio estimulador da tireoide) e no perfil lipídico. Já acompanhada por uma endocrinologista pediátrica, Isabelli ficou seis meses sendo observada, com controle alimentar promovido pela mãe, que é nutricionista.
"O perfil lipídico e o sistema imunológico melhoraram bastante, mas após esse período foi preciso entrar com a medicação, mantendo a dieta equilibrada, com muitas frutas. Ela toma um remedinho todos os dias, em jejum, ainda na cama. Depois de uma hora, ela levanta e toma o café, vai para escola, faz atividade física, tudo normalmente", conta Rosana.
Causas
Para justificar o quadro de Isabelli, possíveis causas eram levantadas durante as consultas. Segundo Rosana, o fato da filha ter tido muitos episódios de amigdalite e, consequentemente, ter feito uso de muitos antibióticos, poderia ser uma justificativa.
A endocrinologista pediátrica Isabella Herkenhoff Carvalho explica que as causas podem ser autoimunes no caso de tireoidite de Hashimoto (causa do hipotireoidismo, no qual o próprio organismo produz anticorpos contra a tireoide) e Doença de Graves, quando se trata de hipertireoidismo.
Entretanto, há fatores externos a serem considerados, como ingestão excessiva ou deficiente de iodo, infecções virais ou bacterianas que podem levar o corpo a induzir autoimunidade, além de situações como privação, divórcio dos pais, depressão e uso de medicações ricas em iodo, amiodarona, carbonato de litio ou contrastes e até suplementos alimentares.
Ela ainda ressalta que no hipotireoidismo congênito, as causas mais comuns são defeitos herdados na síntese de hormônios ou defeitos na formação da glândula como ectopia, hipoplasia ou agenesia da glândula.
"O hipotireoidismo congênito é a doença tireoidiana de maior relevância clínica na infância, pois necessita de tratamento rápido. O ideal é que seja antes dos 15 dias de vida porque trata-se da principal causa de atraso de desenvolvimento evitável no mundo. A patologia acomete cerca de 1 a cada 3 mil nascidos vivos", comenta.


