Você sabia que criança também pode ter pressão alta? Por conta do desconhecimento da maioria das pessoas, muitas crianças enfrentam o problema, que é silencioso, e pode desencadear diversas alterações no organismo a longo prazo. De acordo com o médico pediatra Renato Mikio Moriya, a prevalência da hipertensão arterial em crianças e adolescentes se situava em torno de 1% a 3% da população, mas estimativas mais recentes apontam que estes índices subiram para 5%. ''Fatores como obesidade, estilo de vida e dietas hipercalóricas e com maior conteúdo de sal estão relacionados a estes números'', explica.
Segundo ele, a pressão arterial na infância pode ser primária ou secundária, sendo que a primária está diretamente relacionada com fatores genéticos e ambientais e é considerada mais rara durante a infância. ''Mais de 50% das crianças com hipertensão arterial primária tem história familiar para o problema'', afirma. A hipertensão arterial secundária é chamada assim quando existe uma causa desencadeante conhecida, que pode ou não ser tratada e curada. ''A incidência de formas curáveis de hipertensão arterial é maior entre as crianças do que entre adultos'', destaca.
As crianças e adolescentes que possuem casos de hipertensão na família devem ser acompanhadas mais de perto. Fatores nutricionais, psicossociais e culturais precisam de atenção redobrada. ''A criança com níveis de pressão arterial mais elevados tende a evoluir ao longo da vida e possui maior probabilidade de se tornar um adulto hipertenso'', explica o pediatra. Ele acrescenta que crianças hipertensas tem risco futuro de doenças cardiovasculares e alterações renais, por isso é tão importante iniciar as medidas preventivas o quanto antes.
A pressão alta geralmente é assintomática, mas os pais devem desconfiar quando a criança apresentar irritabilidade, fadiga, ansiedade e atraso de crescimento. Sintomas como dor de cabeça forte e recorrente - principalmente no período da manhã e na parte de trás da cabeça, associados à náuseas, anorexia, tonturas, dores abdominais e alterações comportamentais podem estar relacionados à forma mais grave da doença.
O pediatra acrescenta que os levantamentos das causas mostram que cerca de 80% dos casos estão relacionados a doenças renais, 10% a causas renovasculares, e os 10% restantes estão ligados a problemas cardiovasculares, endocrinológicos e do tecido conjuntivo, associados ao uso de medicamentos e outros motivos.
Para o nefropediatra Hilton Peloi, a pressão alta em crianças é subdiagnosticada, já que a falta de hábito de alguns médicos de medirem a pressão das crianças faz com que o problema não seja identificado. ''A partir dos três anos de idade já podemos medir a pressão das crianças. O uso do aparelho inadequado pode fazer com que seja diagnosticada uma falsa pressão alta'', alerta.
Para diagnosticar adequadamente a pressão alta em crianças é preciso aferir a pressão três vezes em tempos e dias diferentes, com a criança calma e com o aparelho adequado. ''As tabelas relacionam a pressão com a estatura da criança. O que importa na hora de aferir a pressão deles é a altura e não a idade'', completa. Para evitar problemas relacionados à hipertensão arterial, o nefropedistra alerta para os cuidados com a alimentação dos pequenos. ''A dieta da criança deve ser sem sal até um ano de idade, assim não se cria o hábito de consumir coisas muito salgadas no futuro'', destaca. O médico acrescenta que diante da identificação da hipertensão arterial na criança, é obrigatóprio investigar a causa do problema.

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