Para achar a fonte de tamanha indisposição, a publicitária Lavínia Rocha fez uma autoanálise dos hábitos diários. "Como tenho uma agência de Publicidade e Propaganda e administro um grupo no Facebook, fico cerca de 15 horas por dia conectada e isso estava me deixando cansada e estressada. Vi que eu precisava desligar, fazer coisas novas", aponta.

Para a doutora em Ciências na área de Sáude Coletiva, Maíra Rosa Apostólico, a sociedade vive hoje uma lógica de produção e consumo, onde é inadmissível que o sujeito "relaxe" ou aproveite momentos menos acelerados ou intensos. "É como se o tempo todo as pessoas tivessem que produzir algo material e sentem-se culpadas ao agirem diferente. Nos esquecemos que momentos de descontração também podem significar uma oportunidade de criatividade e imaginação. Nesta perspectiva, curtir a preguiça pode ser muito benéfico", salienta.

Apostólico é docente de pós-graduação em Enfermagem da Universidade Univeritas/UNG e reforça a importância de interpretar os sinais do corpo e buscar saber a causa.

Além da autorreflexão, Rocha mudou os hábitos de alimentação e passou a praticar ioga. "A atividade física libera endorfina e estimula a produção de serotonina, que são hormônios do 'bem-estar'. Além disso, o condicionamento físico aumenta a capacidade da pessoa de executar tarefas diárias, com menos dores e cansaço. Não significa que não haverá cansaço, mas a recuperação será melhor, pois o sono é restaurador", explica.

Já a alimentação saudável evita uma sobrecarga no organismo e faz com que ele trabalhe menos para metabolizar. "A mudança de hábitos é essencial, mas não pode vir sozinha. É uma mudança de mentalidade, um respeito aos nossos limites, pois nesse desejo de mudar hábitos vamos impondo novas rotinas, gerando uma sobrecarga e, muitas vezes, frustração, pois também assumimos totalmente a responsabilidade quando esses planos não dão certo", acrescenta.

A psiquiatra Patrícia Alves Pereira Pinto comenta que quando os meios naturais, como a prática de exercícios físicos, terapia ocupacional, acerto de pendências familiares e mudanças de hábitos não resolvem o problema, é preciso buscar ajuda médica. "Um profissional irá entrar com medicações associadas a outras medidas como a psicoterapia. Hoje, temos medicações que regulam a taxa de estresse excessivo e que não causam dependência", completa. (M.O.)

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