Cura depende de diagnóstico precoce
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segunda-feira, 21 de outubro de 2013
Michelle Aligleri<br> Reportagem Local 
Neste ano, 52.680 brasileiras devem receber o diagnóstico de câncer de mama, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA). Apesar da intensa divulgação sobre a doença e de campanhas que incentivam a realização do autoexame e de mamografias para diagnosticar o câncer precocemente, esta doença ainda é uma das principais causas de morte de mulheres em todo o mundo.
Não há novidades sobre o assunto e nem medicamentos ou formas revolucionárias para identificar a doença, afirma a médica mastologista Isabela Spironelli. "O que temos de mais efetivo é justamente o diagnóstico precoce. A identificação do tumor em seu estágio inicial é capaz de mudar a vida da pessoa", destaca.
Mesmo não sendo prevalente, o câncer de mama é o que mais mata no Brasil, e a médica destaca que isso acontece justamente por conta da identificação tardia da doença. O cenário é alarmante, mas o câncer de mama é tratável e curável em 98% dos casos em que os tumores são diagnosticados com menos de um centímetro.
O que desencadeia o câncer de mama é uma alteração genética e, ao contrário do que as pessoas pensam, apenas 5% dos casos têm uma relação com a hereditariedade. Isso significa que 95% deles aparecem em mulheres que nunca tiveram este diagnóstico na família, por isso este é um assunto que diz respeito a todas as mulheres.
As pessoas que têm histórico familiar da doença devem ficar mais atentas, assim como aquelas que apresentam casos na família de câncer de mama masculino, tumores bilaterais, aparecimento de tumores antes da menopausa e mais do que um parente de primeiro grau com este tipo de câncer. "Estas pessoas devem começar a fazer a mamografia a partir dos 35 anos, mesmo que não apresentem sintomas", alerta a médica.
Ela complementa que no caso das mulheres que possuem parentes de primeiro grau que tiveram câncer de mama, a mamografia deve começar a ser feita dez anos antes do aparecimento do câncer no familiar. Ela ainda acrescenta que as pacientes que apresentarem algum sintoma não têm idade para iniciar a investigação. "A partir do momento que a menina menstrua ela precisa ir ao ginecologista todos os anos e ser orientada a fazer o autoexame nas mamas todos os meses. Isto porque os casos de câncer em jovens estão aumentando muito", destaca a mastologista.
A médica explica que a mesma alteração genética que provoca o câncer de mama também é responsável pelo aparecimento do câncer de ovário. Isso significa que a paciente que tem um tumor de mama diagnosticado deve passar por uma investigação nos ovários e as pessoas que têm histórico de tumor de ovário devem ter uma preocupação maior com a possibilidade de apresentarem tumor de mama.
Nas pacientes jovens, há ainda outro fator a ser contornado. Por conta das mamas mais densas, a mamografia pode dar um resultado negativo falso. Nestes casos, a realização do ultrassom é indicada. De acordo com ela, cerca de 15% dos exames de mamografia apresentam resultado falso negativo.
Na rede pública de saúde, o exame de mamografia está disponível para todas as mulheres acima de 40 anos, e apesar do Ministério da Saúde ter identificado um aumento de 37% na procura por estes exames no ano de 2012 em comparação ao ano de 2010, a médica alerta que sobram exames no Sistema Único de Saúde (SUS).
A realização do autoexame nas mamas é fundamental para diagnosticar nódulos que podem ser cancerígenos. A médica orienta que as mulheres façam a investigação das mamas sempre um dia após o término da menstruação e aquelas que não menstruam devem escolher um dia do mês para realizar o autoexame.
A médica orienta que o autoexame seja feito em frente ao espelho. "O primeiro passo é olhar se as mamas apresentam diferenças entre si e isso pode ser feito levantando e abaixando os braços lentamente e levando os cotovelos para frente e para trás com as mãos apoiadas na cintura", ensina. A palpação deve passar por toda a mama e incluir a região das axilas. A médica afirma que, diante da suspeita de um nódulo em uma das mamas, a mulher deve examinar a outra mama no mesmo local para fazer a comparação. Se a dúvida persistir, ela deve procurar um médico.
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