Você tem diabetes? Se a resposta for positiva, qual foi a última vez que você foi ao oftalmologista? Essa é uma pergunta que todas as pessoas que têm a doença devem se fazer, pelo menos uma vez por ano.
O motivo? As doenças de retina que podem causar cegueira acometem, principalmente, os indivíduos que têm diabetes. "Muitos diabéticos chegam ao consultório em situação tardia, ou seja, com indicação cirúrgica, que é uma das últimas tentativas para salvar a visão", diz André Gomes, presidente da Sociedade Brasileira de Retina e Vítreo (SBRV).
Com a proximidade do Dia Mundial do Diabetes (14 de novembro), entidades e classes médicas estão reforçando o alerta para prevenção. Em um país onde 13 milhões de pessoas sofrem com a doença, o importante é ficar de olhos bem abertos sobre os cuidados e buscar informação.
Com alta prevalência entre a população – cerca de 10 milhões de brasileiros são acometidos por doenças da retina – a retinopatia diabética requer maior atenção, pois é a principal causa de cegueira em adultos, entre 19 e 60 anos.
Para se ter uma ideia, 90% dos pacientes com diabetes tipo 1 e 60% com o tipo 2, devem desenvolver a retinopatia diabética ao longo da vida, segundo a SBRV. A doença ocorre pelo acúmulo de açúcar nos vasos sanguíneos que irrigam a retina. "Com isso, o sangue não corre bem pelos vasos que começam a ficar mais tortuosos, podendo ocluir ou romper e provocar uma hemorragia ou descolamento de retina", explica Gomes.
Além da retinopatia, o paciente pode manifestar o edema macular diabético (EMD), que promove um inchaço da retina. O perigo é que ambas são doenças silenciosas que podem evoluir para quadros graves. Sem diagnóstico e tratamento, a visão começa a se tornar borrada e distorcida até a perda total.

PESQUISA INÉDITA
Apesar dos motivos já serem suficientes para falar sobre essas doenças, uma pesquisa inédita conseguiu dar ainda mais holofotes para o assunto. Foram ouvidos 932 pacientes diabéticos, entre 20 e 65 anos, sendo a maioria com tipo 2 (66%).
O levantamento foi realizado em cinco regiões do País e o Paraná representa 4,6% da amostra. Questionados sobre a retinopatia diabética, 69% disseram não ter conhecimento e 62% responderam não fazer o acompanhamento com um especialista em retina. Em relação ao tratamento, 89% desconhecem as atuais terapias disponíveis.
"Boa parte dos casos de cegueira pode ser evitado. Todos podem se beneficiar pela eficácia dos tratamentos atuais, apontados por 90% das pessoas como responsáveis pela melhora da visão", completa Gomes, ressaltando a necessidade de mais informação.
De acordo com a pesquisa, apenas 34% dos médicos endocrinologistas são fontes de informação sobre retinopatia diabética. O oftalmologista, em geral, foi apontado por 33% e a internet, 22%.
Há três anos, a SBRV promove a campanha "Veja Bem, Veja para Sempre" para reforçar a importância de se buscar um oftalmologista especialista em retina como forma de prevenção, aliado a adoção de hábitos saudáveis.

DESCUIDO
O médico oftalmologista Gildo Fujii, especialista em retina, conta que, no dia a dia do consultório em Londrina, cerca de 40% dos pacientes são diabéticos. Em outros números, ele observa que há um certo descuido da população em fazer os exames rotineiramente.
"Se pegarmos cem pacientes, por exemplo, 25 são muito preocupados e vão às consultas, outros 25 não têm preocupação nenhuma por não terem conhecimento da gravidade e os demais, 50, são mal informados ou têm um grau baixo de preocupação", contabiliza Fujii, ao salientar que "as pessoas com conhecimento maior sobre o diabetes e as doenças associadas, consequentemente, buscam acompanhamento de especialistas".
Fujii explica que a retina é um tecido que somente um médico pode acessá-la e avaliar. "O paciente não vai sentir nada. Geralmente, os sintomas só aparecem quando a patologia já existe. Assim, a única solução é iniciar imediatamente o tratamento", alerta.

SERVIÇO
Mais informações no site www.vejaparasempre.com.br

*A repórter viajou a convite da SBRV

Imagem ilustrativa da imagem Cuide dos olhos, controle o diabetes
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