Cuidar do coração evita AVC isquêmico
PUBLICAÇÃO
domingo, 21 de agosto de 2011
Fernanda Borges<BR>Reportagem Local 
Uma anormalidade do ritmo do coração bastante comum no mundo todo é a grande causadora do acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico, quando uma artéria é obstruída por um coágulo. Desde 2008 o AVC é a principal causa de morte prematura no Brasil, sendo que 80% desse público foi acometido por AVC isquêmico, derivado da fibrilação atrial. Especialistas afirmam que essa arritmia aumenta em cinco vezes as chances do derrame, por isso a importância de tratá-la.
O neurologista vascular Alexandre Pieri, responsável pelo ambulatório de AVC da Escola Paulista de Medicina (Unifesp), explica que 170 mil pessoas são internadas todo ano e que pelo menos três milhões no mundo sofrem de AVC relacionado à fibrilação atrial.
O Brasil tem investido pouco na prevenção. Precisamos trabalhar em cima dos fatores de risco que são, além da fibrilação atrial, a pressão alta, colesterol alto, obesidade e o tabagismo que aumenta o risco de AVC em até 600%, ressalta.
A fibrilação atrial é o tipo mais comum de arritmia e cerca de 25% dos indivíduos que sofrem do problema não sentem nenhum sintoma. De acordo com o eletrofisiologista, Dalmo Moreira, aproximadamente 45% dos casos envolvem a formação de coágulos. Os derrames decorridos dos coágulos são mais impactantes. Esse coágulo pode se desintegrar ao longo de sua formação e causar problemas em mais de uma região do cérebro. Por isso o AVC desse tipo é muito mais impactante e comprometedor, explica.
Segundo o médico, para detectar a arritmia é preciso que o paciente passe por exames cardiológicos como eletrocardiograma, teste de esforço e, em alguns casos, o holter, que grava o eletro por 24 horas. Ainda segundo ele, para evitar o AVC, muitos precisam de anticoagulantes para combater a formação de coágulos. Somente 30% dos pacientes que recebem prescrição médica para tomar anticoagulante fazem o tratamento adequado e conseguem ficar protegidos. É preciso uma monitoração da coagulação e do próprio medicamento que está sendo usado porque muitos apresentam riscos de hemorragia, diz.
Novo tratamento
Uma nova alternativa para a prevenção do derrame nas pessoas que sofrem de fibrilação atrial foi recentemente aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O Pradaxa (dabigatrana) passou por estudos clínicos com mais de 18 mil pacientes em todo o mundo. O novo anticoagulante reduz em 75% o risco de AVC em relação ao não tratamento. Quando comparado ao medicamento mais antigo, a proteção contra o AVC é 35% superior.
A cardiologista do Instituto do Coração (Incor) de São Paulo, Luciana Giangrande, explica que o novo medicamento desestrutura uma molécula responsável pela formação de coágulos. Esse tratamento é feito por via oral, tem seus efeitos atingidos em duas horas após a administração, não interage com os alimentos e tem uma duração de 12 a 17 horas. Outra vantagem é que ele conta com 80% de sua eliminação pelos rins e diminui os riscos de sangramento em até 70%, finaliza.

