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Londrina

Saúde

m de leitura Atualizado em 08/04/2022, 18:03

Cuidados paliativos: quando há muito a se fazer pela vida

Acompanhamento é indicado para todo paciente que tenha um diagnóstico de doença sem cura, incluindo seus familiares

PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 11 de abril de 2022

Micaela Orikasa - Grupo Folha
AUTOR autor do artigo

Foto: Arquivo pessoal - Divulgação
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Foi em meados dos anos 90 que os primeiros serviços organizados de Cuidados Paliativos começaram a ser praticados no Brasil, apesar de a filosofia paliativista ter surgido muito antes, na antiguidade, com as primeiras definições sobre o cuidar, segundo a Academia Nacional de Cuidados Paliativos.  

Um dos nomes vinculados à história desta prática, que consiste em cuidados multidisciplinares para o alívio de dores e garantia do bem-estar, dignidade e autonomia do paciente com uma doença incurável, incluindo seus familiares, é da médica inglesa Cicely Saunders. Ela fundou em 1967 o St. Christopher’s Hospice, primeiro serviço a oferecer cuidado integral ao paciente e que até hoje é reconhecido como uma referência em Cuidados Paliativos em todo o mundo.   

Atualmente, a especialidade tem se tornando realidade em muitas instituições e serviços de saúde. Entretanto, ao mesmo tempo em que há o movimento de sensibilização para esta abordagem, ainda é preciso desmistificar a ideia que existe no imaginário popular de que cuidados paliativos são uma "sentença de morte".  

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. |  Foto: iStock
 

VEM PARA SOMAR

Esses objetivos vêm se somando ao trabalho diário das equipes de saúde que, como a médica paliativista em Londrina, Raquel Barcelos, observam que os caminhos a respeito do tema estão se abrindo cada vez. “O preconceito leva muita gente a acreditar que Cuidados Paliativos são cuidados quando nada mais pode ser feito pelo paciente, mas o que a gente tenta mostrar é que são cuidados que vêm ofertar um alívio de todo sofrimento que uma doença pode ocasionar, de uma forma complementar ao tratamento que está sendo feito. É um cuidado que vem para somar. É como se fosse uma camada extra de proteção. Temos pacientes que são acompanhados há anos”, ressalta.  

A especialidade envolve uma equipe multiprofissional, formada basicamente por médico paliativista, enfermeiro e psicólogo. No entanto, o acompanhamento pode ser estender a outras áreas como assistência social, fisioterapia, nutrição e fonoaudiologia.  “A ideia é que a partir do momento que o paciente recebe o diagnóstico de uma doença grave, que não tem indicação de cura, ele passe a ser acompanhado com Cuidados Paliativos. Mas isso vai depender do quanto a prática está disponível nos serviços de saúde. Em geral, acabamos pegando o paciente em uma fase mais avançada da doença”, comenta Barcelos, que faz parte da Rede de Cuidados Humanizados da Unimed Londrina.

A cooperativa está implementando uma Rede de Cuidados Paliativos para atender clientes que forem indicados pelos seus médicos. “Quando estamos lidando com uma doença específica, a tendência é focar muito na doença em si, mas temos que olhar para o paciente como um todo, o que é muito mais complexo”, diz. 

VENCER O PRECONCEITO 

Quem viveu essa experiência recentemente também destaca que é preciso vencer as barreiras do preconceito. O servidor público Adilson Nalin Luiz, 57, conta que só após uma conversa com o médico é que ele entendeu o que são Cuidados Paliativos. “A gente tinha uma sensação ruim de que o acompanhamento era para quem estava morrendo, mas um médico nos deu um esclarecimento muito simples, que nos abriu os olhos. Ele disse que os Cuidados Paliativos não são para quem está morrendo, mas para quem está sofrendo. A partir disso, mudamos nossa postura e foi um processo muito importante para nossa família", afirma.  

Luiz e os três filhos batalharam junto com Leiliana, a “Lia”, contra um câncer. “Em momentos como este, a família fica muito abalada e tem dificuldade em fazer o que é correto até mesmo por não ter conhecimento. Como que a gente deveria se comportar? Essa era uma pergunta que nos rondava e com esse cuidado especial tivemos orientações em todos os sentidos, inclusive as de rotina, como as situações de banho, por exemplo. Sabendo o que estamos fazendo, conseguimos dar maior conforto e ter uma eficiência nos cuidados”, diz. 

Além da rotina, Luiz comenta que encontrou apoio emocional junto à equipe de Cuidados Paliativos. “Eu que estava fazendo a gestão dos remédios e dos cuidados diários em casa, me senti mais forte e motivado porque também tive o meu sofrimento acolhido. Eu e meus filhos tivemos muitos momentos de conversa com o psicólogo”, completa. 

O Cuidado Paliativo é uma abordagem reconhecida pela OMS (Organização Mundial da Saúde) e pela AMB (Associação Médica Brasileira). “Nosso papel é acima de tudo cuidar e protegê-los do sofrimento, seja de ordem física, emocional, social ou espiritual, com um manejo clínico de excelência, auxiliando também no processo de compreensão da situação e tomada de decisões”, pontua a médica paliativista.  

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