Imagem ilustrativa da imagem Cresce número de casos de caxumba
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Especialista esclarece que uma dose da vacina tríplice viral confere uma proteção em torno de 70% e duas doses chega a 88%



A chegada do inverno traz, anualmente, a preocupação com as doenças virais. Esse ano, além da circulação em maior proporção dos vírus respiratórios, como o Influenza A (H1N1), o vírus da família Paramyxovirus também surge consideravelmente em algumas regiões do País, atingindo especialmente uma nova faixa etária. Esse vírus causa a parotidite infecciosa, popularmente conhecida como caxumba, uma doença viral aguda, transmitida por gotículas das secreções respiratórias através da saliva, tosse ou espirro, e prevenível com vacinação e hábitos de higiene.
Geralmente associada às doenças da infância, a caxumba está, atualmente, atingindo os adolescentes e adultos jovens, faixa etária onde pode haver complicações severas. "Nessa população, pode haver orquite (inflamação dos testículos), o que pode levar até a um problema posterior de esterilidade, além de pancreatite (inflamação do pâncreas) e, em alguns casos, até meningite (inflamação das meninges). Na infância é raro ter complicação", comenta a infectologista pediátrica Jaqueline Dario Capobiango, membro da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).
Ela atua no maior hospital público do interior do Paraná, o Hospital Universitário (HU) da Universidade Estadual de Londrina (UEL), e tem vivenciado no dia a dia, o atendimento a adolescentes e adultos com a doença. "Principalmente universitários. É a população que mais temos visto", diz.
Segundo a assessoria do HU, do início do ano até a semana passada, foram registrados sete casos, sendo dois em crianças e cinco em adultos. Em 2015, no total foram 11 casos atendidos, dos quais oito eram crianças e três adultos.
Em São Paulo, onde os números foram alarmantes, os registros passaram de 32 em 2015 para 101 neste ano, segundo o boletim de surtos de caxumba no município. Em outros dados, o salto foi de 283 para 684 casos. Deste total, a população entre 10 e 19 anos foi a mais acometida, com um total de 327 pacientes.
No entanto, no Brasil, a caxumba não é um agravo de notificação compulsória, o que justifica a ausência de dados específicos. No Paraná, a assessoria da Secretaria de Saúde (Sesa) registra somente situações de surto da doença.
Desde o início do ano, houve nove notificações distribuídas na Região Metropolitana de Curitiba, Cornélio Procópio, Francisco Beltrão e Maringá. Até o ano passado, as notificações ficavam sob os cuidados das prefeituras.
Em Curitiba, não há registro atual de surto, mas no primeiro semestre deste ano somou 704 casos de caxumba, 4,3% a mais que o ano inteiro de 2015, com 675 ocorrências.
Já em Londrina, a médica do setor de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde, Rosângela Libanori, comenta que "não há registros de surtos da doença nos últimos anos, apenas poucos casos isolados".

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ONDAS EPIDEMIOLÓGICAS
O pediatra e coordenador das doenças transmissíveis da Epidemiologia da Secretaria de Saúde de Curitiba, Alcides Augusto Souto de Oliveira, explica que ao se tratar de caxumba, a justificativa para o surgimento de casos nunca é um fator isolado. "Todos os vírus têm um comportamento semelhante por questões ambientais, como aumento ou diminuição da temperatura e umidade do ar, em alguns períodos do ano, como no inverno, onde há maior circulação de determinados vírus. Denominamos isso como ondas epidemiológicas que ocorrem todos os anos e com diferentes proporções", afirma.
Ainda de acordo com Oliveira, a caxumba, como a própria gripe, é uma doença imunoprevenível, isto é, pode ser prevenida com vacinação e higienização ambiental, como lavagem das mãos, uso do álcool 70% e arejamento dos ambientes. "São atitudes que ajudam a prevenir a transmissão de pessoa a pessoa e também estão diretamente relacionadas ao número de casos", completa.

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