A costureira Eneci Margarida Cardoso, de 75 anos, precisou deixar a máquina, os tecidos e as agulhas de lado por conta do problema na visão. Há cerca de um ano, ela comentou com a família sobre a visão embaçada e uma mancha no olho esquerdo. Apesar de ter procurado o médico do posto de saúde, nada foi encontrado de errado. O diagnóstico veio há cerca de seis meses. Na época, o oftalmologista apontou que ela tinha a forma úmida da Doença Macular Relacionada à Idade (DMRI) e que o olho esquerdo de Eneci já estava completamente comprometido.
A neta da costureira, Suellen Cristiane dos Santos, de 28, explica que, um mês após esta consulta, o olho direito da avó começou a apresentar sintomas da mesma doença. ''O médico disse para nós que isso poderia acontecer'', conta. O medicamento indicado é considerado de alto custo e a família briga na justiça para conseguir as injeções gratuitamente junto ao governo do Estado. Enquanto isso não acontece, Eneci sente a piora na vista dia a dia e chora preocupada. ''Não consigo ver os olhos das pessoas, está tudo embaçado e tem uma mancha preta na frente. Não enxergo mais os detalhes de nada e a claridade me incomoda muito, estou com medo'', desabafa Eneci.
Para auxiliar a avó, Suellen mora com ela. ''Não posso trabalhar porque não tem condições de deixá-la sozinha'', conta. Além da DMRI, Eneci tem diabetes e afirma que a doença atrapalha até mesmo na hora da aplicação da insulina. ''A vista é tudo para a gente e a doença avança muito rápido'', lamenta a costureira. (M.A.)

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