Antes de sair correndo por aí, dando início a uma rotina de atividade física, é importante checar a saúde do coração, com basicamente três testes: um exame clínico, um eletrocardiograma e uma dosagem em laboratório para avaliar o colesterol.
Essa recomendação é dada pelo cardiologista Ricardo José Rodrigues, que reforça ainda mais o recado, quando considera os indivíduos que fumam, bebem, têm histórico de alguma doença na família ou ainda são sedentários e estão com sobrepeso.
"Na maioria das vezes, os problemas ocasionados naqueles que estão iniciando uma prática ocorrem pela falta de informação sobre adaptação à atividade. O sedentário precisa de um programa para se condicionar. Tem que ser gradativo, de fortalecimento, alongamento, resistência e melhora do potencial aeróbico", sustenta.
Responsável pelo ambulatório de coronariopatias do Hospital Universitário (HU) em Londrina, Rodrigues explica que no grupo com fatores de risco, citados acima, uma avaliação aprofundada é fundamental.
"Porque a doença pode ainda não ter se manifestado e, assim, o exercício pode funcionar como um ‘gatilho’ importante para uma arritmia ou mesmo infarto", comenta.
Quanto aos casos de mal súbito entre jovens, inclusive entre aqueles fisicamente ativos, o especialista diz que é comum a relação com uma doença congênita ou histórico familiar.
Ele cita, por exemplo, a miocardiopatia hipertrófica, assim como as canalopatias, que são doenças do sistema elétrico do coração, e a displasia arritmogênica do ventrículo direito. "Há também um outro grupo de pacientes que se infectam com algum vírus e desenvolvem miocardite, uma infecção no músculo", completa.
No entanto, Rodrigues afirma que é mais comum ter morte súbita após os 30 anos, especialmente em provas de exaustão, como maratona e triatlo. "Inclusive acima dos 40, é preciso alertar o paciente que exercícios extenuantes aumentam a mortalidade", diz.
Para concluir, o especialista salienta que o exercício físico visando a promoção de saúde é quando se gasta em torno de 2.000 a 2.500 kcal por semana e trabalha em uma faixa aeróbica, que pode ser calculada assim: 220 batimentos cardíacos, menos a idade. O resultado é multiplicado por 0,6 para obter o parâmetro mínimo e por 0,8, para o valor máximo. (M.O.)

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