Por muito tempo se acreditou que as doenças cardiovasculares era uma afecção dos homens, porém, dados de órgãos da área da saúde têm revelado que a mulher é muito mais suscetível às doenças do coração. No mundo, mais de 8,6 milhões de mulheres morrem todos os anos por causa dessas moléstias. Na Europa, 23% das mulheres morrem de doenças isquêmicas do coração contra 21% de homens. No Brasil, dados do Ministério da Saúde apontam que as doenças cardiovasculares são responsáveis por 36,2% de todas as mortes ocorridas em mulheres. Preocupado com esses números, o médico cardiologista de São Paulo, Roque Savioli, lançou recentemente o livro ''Um Coração de Mulher'' (Editora Canção Nova), que aborda informações a respeito da saúde integral, que contempla o corpo e o espírito da mulher.
Savioli é supervisor da divisão clínica do Instituto do Coração (Incor) do Hospital das Clínicas da FMUSP - Unidade de Cardiogeriatria e Cardiopatia na Mulher. Segundo ele, atualmente, a doença cardiovascular é a principal causa de óbito nas mulheres não só na Europa e Estados Unidos, mas principalmente no Brasil.
''Embora campanhas de prevenção venham sendo feitas, objetivando o controle dos fatores de risco, a redução da mortalidade por AVC (Acidente Vascular Cerebral) em mulheres não tem sido tão expressiva como a dos homens, a despeito do uso de medicamentos eficazes e das mudanças de estilo de vida. Resolvi escrever esse livro para conscientizar sobre a gravidade do problema'', diz.
Estudos recentes comprovam a correlação entre a depressão e a ocorrência da doença das coronárias. Segundo o cardiologista, cerca de 20% das pacientes infartadas já apresentavam os sintomas de depressão previamente ao evento coronário, enquanto que 33% podiam apresentá-los imediatamente após a internação na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
''Existem algumas explicações para essa associação. Acredita-se que a depressão possa aumentar a atividade das plaquetas, elementos do sangue responsáveis pelo início da coagulação e formação dos coágulos, de modo a facilitar a trombose. Por outro lado, indivíduos deprimidos têm apresentado maior tendência à deposição de gorduras nas paredes dos vasos e consequente endurecimento de suas paredes e ocorrência de aterosclerose'', explica.
Savioli aponta ainda que o aumento da ocorrência de eventos cardiovasculares nas pessoas deprimidas pode ser a falta de adesão ao tratamento. Segundo ele, por desilusão ou desesperança, mulheres deprimidas parecem facilitar a recorrência dos problemas coronários por não obedecerem às recomendações médicas para a manutenção da saúde.
''O ser humano é composto por três dimensões: a física, a psíquica e a espiritual. São dimensões que coexistem harmonicamente, mantendo a homeostase determinante da saúde global do indivíduo. Distúrbios em quaisquer dessas dimensões podem ocasionar disfunções tanto no corpo como no psiquismo e no espírito. Por isso, é importante que tanto homens quanto as mulheres cuidem e prestem atenção. Na parte física com a prática de exercícios, cuidados com a alimentação, consultas médicas frequentes, etc. Com a psíquica, de olho na depressão, estresse, fatores que comprovadamente têm grande influência na saúde do corpo. E, não podemos nunca esquecer do lado espiritual, pois existem comprovações científicas de que a fé pode alterar a evolução das doenças, independente de religião'', finaliza.
Serviço: Livro ''Um coração de mulher'', Roque Salvioli. Editora Canção Nova, 136 páginas. Ano 2011. Preço R$ 19,90. www.loja.cancaonova.com

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