Uma doença antiga, que muitos acreditavam já estar erradicada, volta a fazer parte dos debates entre agentes de saúde. A coqueluche, uma infecção que afeta o trato respiratório, é marcada por uma tosse contínua que pode causar pneumonia em adultos e matar bebês. Atualmente os números da doença têm atingido cerca de 300 milhões de casos no mundo e pelo menos 300 mil mortes anualmente. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a coqueluche é a quinta doença evitada por vacina responsável pelo maior número de óbitos em crianças menores de cinco anos.
O presidente da Associação Brasileira de Imunizações (Sbim), Renato Kfouri, explica que há anos a coqueluche deixou de ser uma doença de criança e que adultos também a adquirem. Mas, por ser assintomática, muitos nem chegam a procurar ajuda médica para fazer um diagnóstico preciso. ''Muitas pessoas confundem a tosse comprida com algum resfriado ou alergia a acabam não indo ao médico. Com o tempo, o organismo elimina naturalmente a bactéria. O problema está neste período em que o adulto fica em contato com bebês e transmite a doença. No caso da criança, a coqueluche pode matar'', enfatiza.
Desde a década de 1990, observa-se um aumento dos casos de coqueluche. Em 2010, o Centro de Prevenção e Controle de Doenças dos Estados Unidos registrou 27.550 casos da doença, dos quais 9.774 na Califórnia, onde foi registrada a morte de 10 bebês de dois meses de idade.
Subnotificada
No Brasil, a subnotificação da coqueluche é uma realidade em razão do desconhecimento da doença, da dificuldade de diagnóstico em adolescentes, jovens e adultos, e da falta da difusão de exames mais sensíveis para a detecção da bactéria (Bordetella pertussis). Em 2010, o Data SUS registrou 427 casos de coqueluche, dos quais 40% em São Paulo, sendo 80% em bebês com menos de um ano.
Ainda segundo o médico, o diagnóstico da doença se dá, principalmente, por uma tosse seca depois de 14 dias ou vômitos após tosse sem outra causa. Ele reforça que quanto mais tarde o paciente procurar ajuda mais difícil é fazer o diagnóstico correto. ''A doença é particularmente grave em recém-nascidos e crianças não imunizadas ou que ainda não completaram o esquema básico de vacinação - três doses aos dois, quatro e seis meses, seguidas por dois reforços. Por terem as vias aéreas de menor calibre e o sistema imunológico imaturo, os bebês têm mais chances de desenvolver complicações, como pneumonia e insuficiência respiratória, que são responsáveis por internações e podem provocar paradas respiratórias, deixar sequelas mentais e motoras por causa da falta de oxigenação do cérebro'', afirma Renato Kfouri,
* A jornalista viajou a São Paulo a convite da Sanofi Pasteur.

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