Convivendo com a doença há 32 anos

Com foco na prova de ultramaratona que será realizada em 2018, na África, o profissional de educação física Leandro Monteiro Ponte, 39, relembra as três décadas convivendo com a AIJ (artrite idiopática juvenil) como uma jornada de superação. Ele teve a suspeita da doença quando tinha sete anos, mas a confirmação só veio dois anos depois. "Eu chorava de dor. Foi um trauma muito grande na minha infância porque eu não podia jogar bola, soltar pipa; e na adolescência sofria bullying, pois quase não tinha força e minhas pernas eram muito finas", revela.
A escolha em se dedicar à educação física não foi à toa. Ele conta que por incentivo da médica reumatologista começou a praticar musculação, quando percebeu que, conforme o corpo esquentava, a dor e a flexibilidade articular melhoravam significativamente.
"Em poucos anos, a doença avançou muito. Ela sumia por um tempo e retornava em outras formas, como a uveíte. Fiquei com uma sequela leve, mas estive perto de perder a visão", diz.
Ponte comenta ainda que os primeiros sinais foram as deformidades nas articulações e que durante as fortes crises não conseguia sequer andar. Ele segue em tratamento, mas está em remissão da doença há quatro anos. "A cada quatro meses tenho consulta e a cada 15 dias faço uso do medicamento biológico. Hoje não tenho limitação nenhuma, mas há dias em que acordo com um pouco de dor. Fico tranquilo porque sei que no dia seguinte ela vai embora, pois está controlada. Estou levando a vida numa boa", afirma.
Esse espírito de superação é próprio de Ponte. Além de ter vencido todas as barreiras impostas pela AIJ, ele que ir além. Em continente africano, ele vai correr 90 quilômetros movido, segundo ele, sempre pela fé e a certeza de que é possível vencer a doença. (M.O.)




