CONTROLE GLICÊMICO - Cuidar do diabetes também protege o coração
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domingo, 03 de julho de 2016
Micaela Orikasa<br>Reportagem Local 
Se pensarmos que, no Brasil, cerca de 14 milhões de adultos têm diabetes podemos chegar a outro dado alarmante. Desta população, aproximadamente 25%, ou seja, quase 3,5 milhões apresentam doença cardiovascular associada.
Isso se deve, basicamente, ao fato do diabetes criar um estado inflamatório que propicia a produção de placas de gordura nas artérias. "E podemos dizer que ela (diabetes) é um marcador de amplificação de riscos de todos os outros que já ocorrem", resume o endocrinologista Bruno Geloneze, coordenador do Laboratório de Investigação em Metabolismo e Diabetes da Unicamp.
Considerando que as doenças cardiovasculares são a maior causa de morte no diabetes, um novo estudo vem despertando a atenção de cardiologistas, com divulgação científica há poucos meses no Brasil. Os resultados foram apresentados em setembro de 2015, no Congresso Europeu de Diabetes, em Estocolmo, na Suécia.
Intitulado EMPA-REG OUTCOME, o estudo apontou que a empaglifozina - um inibidor da proteína SGLT2, de uso oral - além de tratar o diabetes tipo 2, reduziu em 38% a taxa de morte por causas cardiovasculares e 35% na taxa de hospitalização por insuficiência cardíaca. Além disso, reduziu o risco em 39% de início ou piora de doença renal.
Para chegar aos resultados, foram avaliados cerca de 7 mil pacientes de 42 países, com alto risco para doença vascular. "Durante três anos de tratamento, comparou-se esse medicamento versus placebo em pacientes adequadamente tratados. Os resultados mostraram redução em 14% do objetivo principal que é diminuir juntos os riscos de óbito, infarto e AVC", aponta o cardiologista Álvaro Avezum.
Ele que é diretor científico da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo, comenta que, até então, o tratamento tinha como meta controlar a taxa de açúcar (glicemia) nos pacientes, reduzindo a complicação microvascular que é a cegueira e a amputação de membros.
"Não havia dados de impacto na sobrevida. Então, o achado que motiva toda essa discussão é que além do controle do açúcar, você impacta na redução da morte. Esse é o fato novo", diz.
O endocrinologista Geloneze, um dos investigadores do estudo no Brasil, explica que a empagliflozina já é utilizada há cerca de um ano no Brasil, assim como a dapaglifozina e canaglifozina. "É uma classe terapêutica muito segura, mas que não tinha uma evidência tão clara e ampla sobre a diminuição do risco cardiovascular", afirma, citando que o fármaco não está disponível na rede pública de saúde.

