Apesar de fundamental para a autonomia, a devolução do movimento das pernas não é a melhora mais importante proporcionada pela técnica de neuromodulação. De acordo com o médico da equipe da Unifesp, Nucelio Lemos, os pacientes consideram mais relevante o controle das funções fisiológicas de incontinência urinária e esfincteriana. "Quando estimulamos o nervo pudendo, conseguimos fechar o esfincter uretral e anal e bloquear o arco reflexo da bexiga. Desta forma ele consegue armazenar mais urina e ficar um tempo maior entre as passagens de sonda. Isso pode significar dormir a noite inteira", destaca Lemos. O médico acrescenta que alguns pacientes com lesão incompleta na medula conseguem urinar normalmente utilizando os comandos do aparelho, sem precisar de sonda.
Outro benefício da técnica é o fato da atividade muscular possibilitada pela implantação dos eletrodos manter o trofismo do músculo. O tratamento, entretanto, não se resume somente aos estímulos elétricos, mas envolve também um processo de reabilitação intensa. Para um bom resultado, após o implante o paciente precisa passar por dez horas semanais de exercícios intensos para ganho de massa muscular e coordenação.
Entre os efeitos indiretos da neuromodulação está o desenvolvimento de neurônios para buscar novas conexões. O médico explica que se a pessoa tiver uma lesão incompleta na medula, a tendência é que a estimulação do nervo periférico devolva mais função ao músculo, independentemente do uso do aparelho.
Segundo Nucelio Lemos, o sucesso do tratamento depende da gravidade, do tempo da lesão e das características individuais do paciente. O próximo passo da ciência é investir na interface cérebro-máquina, isso significa melhorar o sistema robótico para não precisar utilizar o controle remoto. (M.A.)

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