Como tratar a esclerose múltipla
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segunda-feira, 09 de dezembro de 2013
Michelle Aligleri<br>Reportagem Local 
Vários tratamentos para a esclerose múltipla estão sendo testados e inúmeros cientistas pesquisam esta doença inflamatória crônica que, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), ataca o sistema nervoso central de 2,5 milhões de pessoas. Ainda sem cura, a enfermidade provoca uma degeneração progressiva do organismo, que resulta no acúmulo de incapacidades ao longo do tempo. A inflamação na bainha de mielina (uma espécie de capa protetora dos neurônios) é provocada por uma reação autoimune do organismo, que passa a não reconhecer e destruir as substâncias que formam esta estrutura.
O tratamento tradicional e mais utilizado pelos pacientes é medicamentoso e pode incluir drogas biológicas: imunomoduladoras, imunossupressoras e anticorpos monoclonais. Para pessoas que não apresentam bons resultados com este tipo de tratamento, pesquisadores estudam a terapia com células-tronco como alternativa. A técnica, que ainda está em fase de estudo no Brasil, é desenvolvida em alguns centros de pesquisa. No Paraná, um centro em Curitiba vem realizando o procedimento em caráter experimental. "Os estudos apontam que o tratamento com células-tronco consegue frear a doença e até melhora a capacidade motora do paciente, mas entre quatro e seis anos o paciente volta a apresentar os sintomas e a doença se reinicia", explica o médico neurologista e professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Damácio Ramón Kaimen Maciel. Mas ele destaca que esta técnica não é indicada para todos os pacientes. Cada caso precisa ser avaliado individualmente, antes da prescrição do procedimento.
Vitamina D
Enquanto alguns cientistas avaliam a viabilidade e a segurança do transplante de células-tronco, outros se empenham para descobrir a relação entre a vitamina D e a esclerose múltipla. Algumas pesquisas mostram que a deficiência desta vitamina pode estar associada à evolução da doença, por isso este assunto é o foco de muitos estudos em diversos centros mundiais.
Atualmente, a vitamina D já é indicada como auxiliar no tratamento de pacientes com esclerose múltipla. "Uma vez corrigida, esta vitamina ajuda no controle da doença, mas os medicamentos convencionais não devem ser abandonados", ressalta Ramón. Alguns pesquisadores afirmam ainda que a inclusão da vitamina D no tratamento possibilita até mesmo a reversão de algumas sequelas recentes provocadas pela doença. No entanto, esta questão ainda não foi comprovada e o tratamento exige acompanhamento médico, já que altas doses da vitamina D podem comprometer a função renal.
Longe da cura
A médica professora da disciplina de Neurologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Rosana Scola, afirma que apesar de haver muitas pesquisas com avanços significativos e muitas drogas novas sendo testadas para melhorar as condições de vida dos pacientes com esclerose múltipla, a ciência ainda está longe de encontrar uma cura para o problema. "Há vários lugares prováveis de início do processo de esclerose, são necessárias várias drogas para agir nestes locais diferenciados. Provavelmente no futuro teremos melhores respostas", completa.

