O primeiro sinal de intolerância à lactose será dado pelo nosso corpo. Se ao consumir leite ou derivados surgirem sintomas como distensão abdominal, desconforto, produção de gases e diarreia, é hora de procurar um profissional.
Na consulta, o médico irá avaliar todos os sintomas e poderá solicitar exames para confirmar a intolerância e verificar se ela se estende a algum outro alimento.
No caso da lactose, a endocrinologista Myrna Campagnoli explica que há três principais testes. O primeiro e mais comum é o de intolerância, em que é administrada uma quantidade fixa de solução de lactose, via oral.
O resultado é baseado na curva glicêmica após a ingestão. "O que é dosado é o açúcar no sangue. Através disso, conseguimos mensurar o quanto essa lactose é absorvida no organismo", completa.
O segundo teste é o do hidrogênio expirado. Também é administrada a mesma solução de lactose e em seguida o paciente irá "assoprar" em um aparelho que irá calcular a quantidade de hidrogênio presente. "Isso indica o quanto dessa lactose é metabolizada dentro do organismo e com isso vamos mensurando a presença ou não de uma intolerância", aponta.
O terceiro, trata-se de um exame genético que pode ser feito pela coleta de sangue ou uma amostra de saliva. Ele irá apontar a presença de mutações e alterações genéticas que demonstram a intolerância ou não. "Esse, sem dúvida, é o mais específico, pois verifica a condição genética e hereditária também", diz Myrna, que atua no Laboratório Frischmann Aisengart, em Curitiba. Além da intolerância congênita, o exame permite a identificação sem interferências de dietas, medicamentos ou comorbidades (doenças associadas), além do grau preciso de intolerância e se é congênita.
Para a endocrinologista, o diagnóstico preciso é importante para início do tratamento, uma vez que a intolerância à lactose tem acometido grande parte da população. Estima-se que no País cerca de 60% da população apresente algum grau desta deficiência.
"Já existem estudos mostrando que a intolerância à lactose será uma condição que a maioria das pessoas vai acabar por desenvolver, pois temos sofrido alterações muito grandes na flora intestinal", comenta.

Não é doença

A intolerância à lactose não é um doença. De forma geral, ou seja, para qualquer alimento, é considerada uma condição do organismo em que se perde a capacidade de digerir ou metabolizar determinadas substâncias.
No caso da lactose, a pessoa não consegue digerir produtos lácteos porque não produz a enzima lactase ou então produz em quantidade insuficiente. Essa enzima é produzida pelas células da mucosa do intestino delgado.
A lactose é um açúcar existente no leite e seus derivados. Ela é uma molécula grande e depende da lactase para ser quebrada em moléculas menores, possibilitando que o organismo as absorva. "A intolerância à lactose é pouco transmissível, então ela não passa dos pais para os filhos, pelo menos não em grande frequência. No entanto, ela pode surgir em qualquer idade", afirma a endocrinologista.
Ainda de acordo com Myrna, os hábitos alimentares da população podem ser uma das justificativas. Ela explica que alguns aditivos são colocados no leite ou derivados, a fim de estender a validade dos produtos. "Há estudos que apontam o uso indiscriminado de antibióticos, tanto para o crescimento de alguns grupos de vegetais quanto animais, sem contar ainda, o uso indiscriminado desses medicamentos entre a população", cita ela, salientando que essa prática acaba influenciando na capacidade produtiva das bactérias intestinais.
No entanto, uma vez que a pessoa é intolerante à lactose, não significa que ela será para sempre intolerante. "Em alguns casos de bebês, por exemplo, uma justificativa pode ser apenas uma imaturidade do organismo. É lógico que vale a investigação, mas em muitas situações basta uma retirada temporária até o organismo amadurecer e começar a produzir as enzimas de forma adequada", conclui.

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