Para o médico ultrassonografista e ginecologista, Paulo Elias de Azevedo Albuquerque, diante de um diagnóstico de anencefalia cada profissional deve se comportar de uma forma. ''Na minha opinião, cabe ao ultrassonografista identificar o problema e enviar o laudo para o obstetra daquela paciente. Ele até pode falar que existe um problema que será explicado pelo médico, mas não cabe a ele dar a notícia'', disse.
Segundo Paulo Elias, a situação deve ser repassada pelo obstetra porque ele tem mais proximidade e uma relação de confiança com a gestante. ''É uma notícia de morte'', disse acrescentando que o profissional precisa ter muita delicadeza e passar a informação da maneira menos traumática possível.
Diante de um diagnóstico de anencefalia, a primeira reação da maioria das mães é de desespero. ''Cada uma reage de uma maneira, algumas adotam uma postura de luto. Elas precisam de um tempo para assimilar a situação e tomar a decisão (de continuar ou não a gestação) de forma mais madura'', afirmou.
Em 25 anos de trabalho como obstetra, Paulo Elias se deparou com quatro casos de gestantes de fetos anencéfalos e nos 18 anos de atuação como ultrassonografista foram mais cinco casos semelhantes. ''É preciso ter o respeito à individualidade da paciente. Uma coisa é dizer que aquele feto não é viável, outra é explicar que a situação pode acontecer. O médico precisa ser um ponto de apoio e não de decisão''. (M.A.)

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