Comida que cuida
PUBLICAÇÃO
domingo, 19 de junho de 2011
Fernanda Borges <br> <br> Reportagem Local 
Uma alimentação bem feita é fundamental para a garantia de uma vida saudável. A falta de alguns nutrientes pode debilitar o organismo e quando existe alguma doença então, é imprescindível que se faça boas refeições. Pensando na qualidade de vida de pessoas que enfrentam doenças como o câncer, o diabetes ou que convivem com as cardiopatias e querem evitar um novo susto com o coração, a empresa farmacêutica Sanofi-Aventis organizou uma coleção de livros que reúne especialistas no debate sobre a alimentação ideal para cada caso. Os livros ''Comida que Cuida 1, 2 e 3'' fazem parte dos programas sociais da empresa e estão disponíveis para download pelo endereço eletrônico www.sanofi-aventis.com.br
Em entrevista à FOLHA, a nutricionista Tatiana de Oliveira, colaboradora de um dos livros, lembra que a proposta da coleção é de ajudar as pessoas a se alimentarem melhor, mas não sugere as dietas como forma de tratamento. Tatiana trabalha no Centro de Combate ao Câncer de São Paulo e salienta que os estudos sobre nutrição e câncer são complexos. ''Fica difícil de acreditar que um tipo de fruta, vegetal ou fibra, seja ela graviola, granola, chuchu, linhaça ou brócolis, pode ter isoladamente este poder mágico de prevenir o câncer. O câncer é uma síndrome que envolve várias etapas. Infelizmente nenhum tipo de estudo isolado pode provar que qualquer fator seja, definitivamente, causa ou proteção contra, qualquer doença'', diz.
De acordo com a nutricionista, a alimentação do brasileiro vem mudando nos últimos anos. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que, nos últimos 30 anos, o consumo de feijão caiu 31% e de arroz 23%, mesmo esses alimentos sendo os mais típicos no Brasil. ''As populações estão aumentando, envelhecendo e se tornando cada vez mais sedentárias. Os casos de doenças crônicas como o câncer e de mortes provocadas por ele estão aumentando. Todavia, a maioria dos cânceres pode ser prevenida'', salienta Tatiana.
Dados do IBGE apontam ainda que da primeira e segunda metade da década de 2000 houve um aumento no consumo relativo de pães, biscoitos, doces, refrigerantes, carnes processadas, refeições prontas e misturas industrializadas, e uma redução no consumo de arroz, feijão, leite, farinha de trigo, óleo de soja e açúcar. Isso, segundo a nutricionista, significa que está havendo uma substituição e os ingredientes culinários tradicionais estão sendo trocados por alimentos processados que tendem a conter alto teor de gordura e açúcar e pouca água e fibras, o que determina que tenham quantidade de calorias por volume cerca de 60% superior à encontrada em preparações culinárias tradicionais.
''Como resultado desse processo temos um explosivo aumento da obesidade no Brasil, pois um quinto dos adolescentes e metade dos adultos brasileiros apresentam excesso de peso. Não podemos esquecer que a obesidade é causa de diversos tipos de câncer e outras doenças'', diz.
Em relação aos pacientes com câncer, a nutricionista explica que alimentos um pouco mais ricos em açúcar e às vezes até em gordura acabam sendo importantes para ajudá-lo a sentir mais vontade de comer nos períodos de tratamento. ''Não existem proibições quanto à alimentação durante o tratamento contra o câncer. Ela deve, em muitos momentos do tratamento, ser adaptada aos efeitos colaterais que o paciente venha apresentar, como náuseas, vômitos, diarréia, diminuição de saliva, alteração do paladar, falta de apetite, entre outros. A nutrição faz parte do tratamento e em alguns momentos será muito difícil se alimentar de forma adequada, mas o importante é não desistir e comer de forma fracionada ao longo do dia, em quantidades pequenas'', finaliza.

