Comer bem mantém o cérebro jovem
PUBLICAÇÃO
domingo, 29 de julho de 2012
Michelle Aligleri <br> Reportagem Local <br> 
O envelhecimento da população mundial tem sido motivo de pesquisas científicas mundo afora. A maior questão relacionada à expectativa de vida mais prolongada refere-se às doenças crônicas e não transmissíveis, como câncer, alzheimer, mal de parkinson e doenças cardiovasculares.
Estudos que avaliam a importância da ingestão de determinados tipos de alimentos apontam que uma alimentação saudável previne doenças ainda dentro do útero. A farmacêutica, doutora em Ciências de Alimentos e professora da Universidade Norte do Paraná (Unopar), Rejane Dias das Neves Souza, explicou que os efeitos provocados pela boa ou má alimentação aparecem a longo prazo, por isso os cuidados devem começar muito cedo e se estender ao longo dos anos. ''Quando envelhecemos observamos o resultado dos maus hábitos que acumulamos durante a vida'', afirmou Rejane.
Os estudos ainda mostram que determinadas substâncias favorecem este ou aquele órgão, por isso o segredo está na variedade de alimentos. ''É importante colocar cor na alimentação'', destacou Rejane, acrescentando que pesquisadores da Escola de Medicina de Harvard, em Boston, constataram que o consumo de frutas vermelhas como morangos e mirtilos (pequena fruta originária da América do Norte) está relacionado ao declínio mental mais lento com o passar dos anos.
De acordo com Rejane, estes alimentos possuem ''compostos fenólicos'', que contêm substâncias chamadas ''flavonóides'', entre elas a ''fisetina'', uma das substâncias mais estudadas atualmente. ''Ela atua fortalecendo as conexões cerebrais interferindo positivamente na relação entre os neurônios e pensamentos'', explicou. A pesquisadora acrescentou que está provado que consumo de compostos fenólicos ajuda a atrasar o envelhecimento do cérebro.
Alguns tipos de compostos fenólicos possuem a capacidade de reduzir os radicais livres que, quando em excesso, podem causar danos ao cérebro e danificar os neurônios. ''O consumo de substâncias antioxidantes fazem com que os radicais livres voltem a ser estruturas inofensivas para o organismo'', alertou.
Alimentos que possuem grande quantidade de fisetina são morango, uvas vermelhas, pêssego, kiwi, tomate, maçã e cebola. Os que têm capacidade para reduzir os radicais livres são cenoura, espinafre, cereais integrais e leguminosas em geral. ''Enquanto alguns alimentos trazem inúmeros benefícios ao organismo, outros não são tão saudáveis assim. Os alimentos refinados como farinha branca e açúcar, por exemplo, não fazem bem ao cérebro.
Não é preciso mudar a alimentação de forma radical para alcançar um bom resultado na saúde, disse Rejane. ''Vegetais e frutas podem ser usados para contrabalancear uma alimentação inadequada. Entendemos como inadequado o consumo em excesso de frituras, açúcares, massas e produtos refinados''. Ela disse que o foco de uma alimentação saudável não deve ser o emagrecimento e que ele vem como consequência disso. ''Quando comemos corretamente, ingerimos substâncias que reduzem o depósito de gordura no organismo, uma destas substâncias é a aveia, que tem betaglucana, uma fibra solúvel que absorve e ajuda a eliminar a gordura ingerida'', declarou.

