Os medicamentos que agem no controle dos níveis de açúcar no sangue vêm se mostrando eficazes, mas os médicos reforçam a urgência da necessidade de programas governamentais de combate à obesidade para prevenir os casos de diabetes tipo 2. "O binômio obesidade e diabetes são indivisíveis e o excesso de peso e de açúcar está entre as maiores causas de morte no mundo atualmente", disse o cardiologista José Francisco Kerr Saraiva, pesquisador e professor titular de Cardiologia na Pontifícia Universidade Católica de Campinas (SP).
Ele cita uma pesquisa publicada em 2012 pela revista britânica The Lancet que mostrou que nos países latino-americanos a taxa de excesso de peso vem aumentando progressivamente tanto para homens quanto para mulheres. "Caminhamos para um cenário desastroso quando consideramos os problemas decorrentes do excesso de peso", avaliou Saraiva.
O cardiologista defende o controle da obesidade na infância e na adolescência como a forma mais eficaz de se prevenir o diabetes na fase adulta, doença que causa cerca de 300 mortes diárias no Brasil.
Saraiva participou de um estudo feito em Campinas com 4 mil alunos do ensino fundamental, entre 7 e 15 anos de idade, que constatou que um terço deles estava com excesso de peso, o que corresponde a mais de 1,3 mil crianças e adolescentes. "A obesidade e o diabetes estão aumentando. Se não mudar nenhuma variável, em 2025 vai ter uma explosão de diabetes no País. A questão da obesidade no País é gravíssima. Mais de 50% da população adulta brasileira tem excesso de peso e o excesso de peso está associado a doenças como diabetes, hipertensão arterial, doenças coronarianas, câncer. Nossos governantes têm que entender a gravidade do quadro", alertou. "É preciso voltar à alimentação saudável. Saímos da cultura do arroz, feijão, salada e bife para a cultura do macarrão instantâneo, do fast food. A alimentação incorreta aliada ao sedentarismo é preocupante."(S.S.)

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