Prestes a completar 50 dias, a pequena Ana Laura já tem uma longa história de vida para contar. Em um dos vários ultrassons realizados durante o pré-natal, o médico desconfiou que havia algo de errado com ela. A mãe Camila Rafael Massaro dos Anjos, de 26 anos, estava com seis meses de gestação quando fez o ultrassom morfológico que levantou a suspeita de que a bebê tinha cardiopatia congênita. ''Quando fizemos o ecocardiograma fetal, a médica constatou a anomalia. A minha filha tinha Transposição das Grandes Artérias (aorta e artéria pulmonar), uma cardiopatia congênita considerada grave'', lembra.
Para a família, a descoberta foi preocupante. A partir do diagnóstico, os pais buscaram informações sobre o tipo de cardiopatia de sua filha e foram informados que Ana Laura precisaria fazer uma cirurgia logo após o nascimento. ''Estávamos conscientes do risco que ela corria, os médicos nos alertaram de tudo o que poderia acontecer. Rezamos muito e ela nos surpreendeu'', conta o representante comercial Leandro Martins dos Anjos, de 28 anos, pai da criança.
Ana Laura nasceu com 3.670 quilos e 51 centímetros. Ela foi levada direto para a UTI neonatal. Exames realizados após o nascimento confirmaram o diagnóstico. A menina ficou três dias na UTI e saiu de lá direto para o centro cirúrgico, onde passou por uma operação que durou seis horas e meia. Depois da cirurgia, a expectativa dos médicos era que ela ficasse pelo menos quinze dias internada, mas a recuperação de Ana Laura foi tão boa que no nono dia ela foi liberada para ir para casa.
Hoje, Leandro e Camila têm a mesma rotina que os outros pais de bebês, com a diferença de que além das visitas ao pediatra, a pequena Ana Laura também é avaliada por um cardiologista, a cada dois meses. A família é realista, mas tem as melhores expectativas quanto ao futuro da menina. ''Se tudo correr bem, aos sete anos, ela terá que fazer a segunda e última cirurgia, mas sabemos que pode acontecer alguma intercorrência antes deste tempo'', comenta a mãe. Para o pai, o segredo para superar esta fase foi viver um dia de cada vez. ''O fator primordial para a Ana Laura foi a descoberta (da anomalia) antes do parto. Quando ela nasceu, todos já estavam esperando um bebê cardiopata. Havia uma equipe preparada para recebê-la'', concluiu. (M.A.)

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