Além da sazonalidade, o surgimento de casos de caxumba também pode ser justificado pela cobertura vacinal que não tem sido adequada, como aponta a infectologista pediátrica em Londrina, Jaqueline Dario Capobiango, membro da Sociedade Brasileira de Infectologia.
Ela explica que há uma porcentagem de meninos e meninas que estão entrando na faixa etária de adolescente e até adulto jovem, sem imunidade. "Além disso, a vacina (tríplice viral) tem uma melhor resposta com duas doses e há uma população que acabou tendo apenas uma dose na infância", comenta.
A especialista esclarece ainda que uma dose confere uma proteção em torno de 70% e duas, até 88%. "Então, de tempos em tempos, há um aumento da incidência dos casos porque cai a cobertura vacinal e aumenta o número de suscetíveis", salienta.
O pediatra Alcides Augusto Souto de Oliveira considera ainda que mesmo com duas doses da vacina, a imunidade em relação ao vírus decai com o passar dos anos. "Isso carece de mais evidências científicas, mas o entendimento é que alguns pessoas não adoecem, mas podem ser portadoras do vírus da caxumba no seu trato respiratório e acabar passando a doença para os suscetíveis", aponta.
Com isso, ele recomenda que adultos jovens tomem cuidados de higiene no trabalho ou aglomerações, especialmente em ambientes fechados, e em alguns casos estudem a necessidade de uma nova dose para aumentar o número de células de defesa do organismo relacionadas ao vírus da caxumba.
Os adultos de 20 a 49 anos que não receberam a proteção contra a caxumba na infância, não se lembram ou não guardaram os registros, devem se imunizar, procurando a Unidade Básica de Saúde mais próxima para receber a vacina. (M.O.)

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