Aquela vontade de ficar mais cinco minutinhos na cama ou de tirar uma soneca após o almoço, são comportamentos normais e de certa forma, sadios. Mas quando esse desejo é aumentado, ou seja, passa a comprometer parte da rotina, pode ser um sinal de clinomania.

É um distúrbio caracterizado pelo desejo excessivo de não sair cama, de ficar deitado. Por isso, muitas vezes é confundido com preguiça ou a síndrome da fadiga crônica e até mesmo, a depressão.

"É um comportamento ainda pouco conhecido entre a população", diz o neurologista Shigueo Yonekura, médico do Instituto de Medicina e Sono de Campinas e Piracicaba (SP).

Yonekura afirma que o problema é uma manifestação de neurastenia, comportamento que leva o paciente a querer permanecer na posição horizontal. A vontade de ficar na cama é irresistível e o desejo do clinomaníaco pode persistir por muitos dias.

Em dias chuvosos e nublados, os sintomas são mais comuns. Pela similaridade com alguns males e até mesmo a preguiça, o médico diz que o diagnóstico é feito por exclusão, ou seja, afastando as causas orgânicas.

"Por exemplo, na depressão, além do indivíduo ficar muito tempo deitado, há a associação de sintomas como a tristeza, falta de energia, pensamentos negativos, entre outros", comenta.

Já a síndrome da fadiga crônica, estão relacionadas dores musculares, sensação de cansaço e falta de energia. "É como se a pessoa estivesse em uma gripe crônica", completa. Quanto à preguiça, ele cita que a pessoa tem aversão ao trabalho, além de querer ficar o tempo todo deitado.

"Não é um assunto novo para a medicina, mas trata-se de uma condição pouco comum. Não há estudos apontando a prevalência, mas é mais frequente no sexo feminino, na faixa entre 20 e 40 anos", revela.

O neurologista ainda explica que é um problema no comportamento e que não há uma explicação fisiológica. "A pessoa deve procurar um neurologista ou psiquiatra para afastar causas orgânicas e iniciar um tratamento, que pode ser medicamentoso ou psicoterápico", conclui.

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