Cirurgia ortopédica devolve qualidade de vida a hemofílicos
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domingo, 18 de agosto de 2013
Mariana Franco Ramos <br>Equipe Bonde 
Subir e descer escadas, andar de bicicleta e até correr. Essas e outras atividades, que até pouco tempo atrás pareciam impensadas, voltaram a fazer parte da rotina do assistente administrativo Anderson Silveira, de 33 anos. Diagnosticado com hemofilia grave quando criança, o paranaense faz parte da lista dos mais de 200 pacientes operados e acompanhados nosúltimos 17 anos pelo médico ortopedista Luciano da Rocha Loures Pacheco e pelo fisioterapeuta Álvaro Luiz Perseke Wolff no Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e no Hospital Marcelino Champagnat, ambos em Curitiba.
"Antes usava muletas, tinha limitação e uma atrofia muscular grande. Depois de uma consulta, o doutor me avaliou e disse que a melhor solução seria a prótese. Fiz a reposição do fator (de coagulação) e não houve sangramento além do normal. O pós-operatório foi um pouco sofrido, com fisioterapia e andador. Mas depois a qualidade de vida mudou muito", conta Silveira, que é também presidente da Associação Paranaense dos Hemofílicos (APH).
A hemofilia é uma doença genética e hereditária, sem cura, causada pela deficiência de fator VIII ou IX, que não deixa a pessoa coagular. Afeta pacientes do sexo masculino, pois o gene é transmitido pelo par de cromossomos sexuais XX. "Nos casos mais graves, (o hemofílico) apresenta sangramentos espontâneos nos músculos e nas articulações, podendo até perder os movimentos. E a ortopedia entra justamente para
corrigir essas deformidades, mais comuns nos joelhos, cotovelos e tornozelos", explica Pacheco.
O especialista diz que não há em outras cidades do País ambulatórios ortopédicos especializados no atendimento de hemofílicos. Por isso, a fila de espera no HC, que atende pessoas do Brasil inteiro, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), chega a ser de dois anos. Ele realiza hoje, em média, três cirurgias por semana, sendo duas no
Hospital de Clínicas e uma no Marcelino Champagnat, onde possui consultório particular.
Em setembro de 2010, o técnico de contabilidade Antônio Justino Souza de Sales, de 54, saiu de Salvador (BA) para ser operado pelo médico na capital paranaense.
"A minha cirurgia foi uma prótese total de joelho esquerdo. Já vinha de um acidente com a platina, só que infeccionou. Deu diagnóstico de osteomielite (tipo de inflamação óssea) e eu estava com risco de refratura, quando fui então indicado para ser examinado pelo doutor Luciano", relata.
Justino também atribui à cirurgia o aumento na qualidade de vida. "Eu antes era limitado em matéria de flexão, não tinha firmeza, não podia apoiar a perna. As dores no joelho operado diminuíram, não tive mais inchações intramusculares e adquiri mais firmeza, mais força, mais liberdade nos afazeres diários", comemora. "Sou casado e tenho quatro filhos. Imagina não poder exercer essas atividades, não poder trabalhar direito... Hoje, estou me sentindo renovado", completa.

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