Esperança é o sentimento que ganhou um espaço especial na vida de Ismael dos Reis, de 49 anos. Durante 14 anos, ele conviveu com fortes dores no joelho direito e, nos últimos dias, já recuperado de uma cirurgia, acredita que esse sofrimento tende a ficar no passado.
"Eu sentia dor até para andar, mas hoje a sensação é outra. Me sinto bem e muito otimista. Acho até que, daqui uns meses, poderei voltar a jogar uma bolinha", conta, em tom animado.
Reis entrou na sala de cirurgia no dia 21 de abril e foi submetido a um procedimento chamado "prótese total do joelho minimamente invasiva", indicada para quadros de osteoartrose. Segundo o ortopedista em Londrina, João Paulo Fernandes Guerreiro, a base da cirurgia não é nova, mas a técnica evoluiu. E Reis, foi um de seus primeiros pacientes a ser operado por esse procedimento. "A novidade é que, hoje, o cirurgião pode realizar essa cirurgia com menos agressão ao paciente em relação ao pós-operatório", afirma o ortopedista, que esteve, recentemente, no Instituto de Anatomia em Miami, nos Estados Unidos, para aprender a técnica.
De acordo com ele, as novidades estão nos instrumentos, cada vez menores que auxiliam o cirurgião no implante da prótese e promovem uma menor incisão na pele e na musculatura da região do joelho. "Essa menor agressão reduz o risco de complicações com a ferida operatória, como infecção", diz.
Isso significa menos sofrimento e uma recuperação bastante positiva, uma vez que a expectativa é de que, em poucos dias, ele caminhe e dobre o joelho com menos dor e que possa voltar às atividades cotidianas gradativamente.
"Isso é muito individual, mas podemos dizer que alguns pacientes podem apresentar essa recuperação em um mês e meio", completa o ortopedista. É justamente essa boa condição que tem dado muita esperança para Reis.
Após um mês de cirurgia, ele passou a caminhar sem a ajuda de muletas e se levantar da cadeira sem nenhuma dificuldade. "Ainda sinto um pouco dor, mas não é nada comparado com antes da cirurgia. Mexo meu pé e joelho sem dificuldades. Me sinto novo", comenta.
Se Reis fosse submetido a uma outra cirurgia no joelho, a expectativa, segundo lhe foi comunicado, era de que ficaria pelo menos dois meses sem colocar os pés no chão.

OSTEOARTROSE

O médico explica que Reis teve uma lesão do ligamento e, com o passar dos anos, acabou tendo um desgaste precoce da cartilagem que recobre as extremidades dos ossos. O termo precoce é porque a osteoartrose, popularmente chamada de artrose, atinge principalmente pessoas da terceira idade e, em especial, mulheres.
Trata-se de uma doença degenerativa e progressiva que atinge a cartilagem das articulações. "Com o desgaste da superfície de proteção (cartilagem), o osso fica mais exposto e começam as dores", acrescenta Guerreiro. A estimativa é que cerca de oito milhões de brasileiros tenham a enfermidade.
A artrose de joelho é uma forma comum da doença, podendo causar também estalos e até deformidades. O primeiro sintoma é a dor, que pode aumentar com a realização de tarefas diárias. Em alguns casos, pode haver rigidez nas articulações e, à medida que a doença avança, pode haver perda de mobilidade.
O ortopedista ressalta ainda que histórico de fratura, desalinhamento do joelho ou então obesidade mórbida podem ser fatores de risco para o desenvolvimento precoce da doença. "O principal a avaliar, e até mesmo para indicar a cirurgia, é a dor. Às vezes, o indivíduo pode ter uma deformidade, mas sem dor. Nesses casos, tentamos adaptá-lo a essa condição", afirma.
Reis começou a sentir dores em 2001, durante o trabalho. Quatro anos depois, foi afastado ao ser diagnosticado com artrose no joelho. No mesmo período, Reis também teve uma ruptura em um dos tendões do ombro e comprometimento do quadril.
Ele acredita que as dores são oriundas do esforço físico, pois, durante anos, trabalhou carregando peso em linhas de montagem. Sem plano de saúde, Reis sempre buscou atendimento médico pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mas em 2013, quando entrou em uma empresa que tinha plano de saúde para os funcionários, é que passou a enxergar uma solução.
Hoje, ele está desempregado, mas afirma que a garantia de uma melhor qualidade de vida já é um bom motivo para comemorar.

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