CIDADE CIENTÍFICA
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 10 de dezembro de 2003
Oswaldo Petrin<BR>Editor de Rural 
CIDADE CIENTÍFICA
Ninguém tem dúvida que Londrina é um grande centro médico. Diria que aqui também é um centro de médicos de plantas. A cidade concentra cerca de 900 engenheiros agrônomos, somando-se os quadros técnicos de empresas privadas, cooperativas, universidades públicas e privadas, e instituições públicas como Iapar, Embrapa e Emater.
Até aqui nenhuma novidade. Mas é importante observar que nessas instituições há profissionais especializados em áreas específicas, trabalhando com equipamentos sofisticados.
É o caso dos laboratórios de biotecnologia dotados de infra-estrutura e equimentos de ponta. Alguns deles acumulam conhecimentos sobre genoma, uma das áeas mais avançadas da biotecnologia por si só uma ciência relativamente nova.
Como esses avanços se expressam em termos de benefício para as pessoas?
O sequenciamento de bactérias que fazem a fixação do nitrogênio nas plantas, por exemplo, reduz o uso dos fertilizantes que fazem essa função. Isto significa economia de custos e benefícios ambientais.
A clonagem de genes envolvidos em estresse hídrico confere às plantas maior resistência (tolerância) à seca. Economia para o produtor, economia em seguros e regularidade no abastecimento, que evita alta de preços na ponta do consumo.
Outro exemplo: genes clonados no laboratório do Iapar, capacitado em obter plantas transgênicas, ajudam na maturação uniforme dos frutos do café. Reguladores de crescimento que controlam a maturação dos grãos, vão proporcionar melhor qualidade da bebida. De quebra, o processo reduz o tempo em que o fruto fica exposto à pragas e doenças. Neste caso, a redução no uso de agrotóxicos também é acentuada.
A ciência da biotecnologia vai revolucionando a tecnologia, ao trabalhar com genética de microorganismos, com fatores de resistência à doenças, com melhor desempenho da maturação.
Londrina é o único centro com esse padrão tecnológico - e esse nível de especialização - dirigido à genética vegetal. Campinas é um grande centro, mas não se dedica exclusivamente à agricultura.
Diante do potencial de cada instituição e empresa, o cientista Luiz Gonzaga Vieira, sugeriu ano passado, que universidades, institutos e empresas trabalhem em conjunto; naturalmente, preservando sua independência, mas somando conhecimentos em projetos pontuais. Isto significa racionalidade e maior poder de captação de recursos. Juntas, universidades, institutos e empresas iriam compor a ''Cidade Científica''.

