A febre chikungunya (CHIKV) é uma nova preocupação para a saúde pública. A doença infecciosa febril teve os primeiros casos registrados recentemente no Brasil e pode provocar uma epidemia, caso não sejam cumpridas medidas de combate aos dois mosquitos transmissores: o Aedes aegypti e Aedes albopictus.
O nome estranho da enfermidade, originado de um dos idiomas da Tanzânia, significa "aqueles que se dobram", em referência à aparência curvada dos pacientes (em razão das dores) atendidos na primeira epidemia no leste da África (veja info).
Sua relação com a dengue, doença já bem conhecida entre os brasileiros, se dá por vários motivos. Além de um dos mosquitos transmissores ser o mesmo nas duas enfermidades, com exceção do Aedes albopictus, a prevenção, os sintomas e tratamento são iguais.
Ao ser picada por um mosquito infectado com o vírus CHIKV, a pessoa pode apresentar febre alta de início repentino, dores nas articulações, músculos e cabeça, e manchas vermelhas na pele. A chefe do Centro de Vigilância Ambiental da Secretaria de Saúde do Paraná (Sesa), Ivana Belmonte, explica que em relação à dengue, a chikungunya traz uma morbidade maior. "As pessoas sentem muita dor e entre aqueles que adoecem, até 70% pode evoluir para dores articulares persistentes, que podem durar de dois meses até cinco anos. Se o indivíduo é mais vulnerável, como um idoso, pode haver uma maior complicação e a dor persistir por mais tempo", diz.
Apesar dessa característica, cerca de 30% das pessoas não chegam a desenvolver os sintomas. Além disso, a doença também não tem a forma hemorrágica, ao contrário da dengue. "A preocupação é grande em todo o País porque é uma doença impactante, que pode incapacitar o paciente por um longo período se avançar para uma fase crônica", reforça.

SUSCETIBILIDADE
Como o CHIKV é "novo" no Brasil, a especialista comenta que toda a população é suscetível ao vírus e que quem apresentar a infecção, vai criar imunidade. Vale lembrar que a única forma de transmissão é pela picada dos mosquitos.
Os primeiros casos (autóctones) confirmados no País ocorreram no Oiapoque, no Amapá, no mês passado. Em pouco tempo, a doença já se mostrou epidêmica em Feira de Santana, na Bahia, e recentemente um caso foi confirmado em Minas Gerais.
No total, segundo levantamento realizado até o dia 11 de outubro pelo Ministério da Saúde (MS), são 337 casos de febre chikungunya no Brasil, sendo 38 casos importados de pessoas que viajaram para países com transmissão da doença e 299 autóctones.
De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde, o Paraná registrou dois casos em residentes de Maringá, que viajaram para o Haiti no mês de maio. Os pacientes apresentaram os sintomas da doença, receberam o tratamento e se curaram.
O vírus CHIKV só pode ser detectado em exames de laboratório. O MS prevê três tipos de testes (sorologia, PCR em tempo real e isolamento viral). "Na rede de atenção primária do Estado, as equipes estão sendo capacitadas e orientadas. Para a chikungunya, não há teste rápido, mas pode ser realizado justamente para descartar a dengue", salienta Ivana, da Sesa.
Ela cita que o importante é tratar da sintomatologia, com medicação para febre e dores articulares, e conhecer o histórico do paciente, por exemplo, se ele viajou por regiões onde está tendo casos. "Justamente para saber se existe a possibilidade dele estar infectado", afirma.

PREVENÇÃO
Quanto à introdução do vírus em todo o País, Ivana afirma que há um grande risco, o que justifica a necessidade das ações de prevenção. "O combate ao vetor é essencial no momento. As pessoas devem tomar cuidado com todo criadouro em potencial, receber o agende de endemias em suas residências, ouvir as orientações e serem pró-ativas. Se antes a dengue já dava um transtorno muito grande em um município, imagine duas doenças associadas?", indaga.
Diante do expressivo aumento de número de casos de febre chikungunya, o MS está elaborando um manual para pacientes afetados pela doença, que a partir de agora, também será foco nas campanhas educativas em todo o País, juntamente com a dengue.

Imagem ilustrativa da imagem Chikungunya é perigo iminente
mockup