O envelhecimento e os hábitos de vida da maioria da população refletem nas estatísticas que envolvem pessoas com câncer. Referência na região Norte do Estado, o Hospital do Câncer de Londrina (HCL) já realizou mais de 126 mil atendimentos neste ano e fechou o balanço de 2010 com 338.303 mil procedimentos, cerca de 30 mil a mais do que no ano anterior. Os casos mais frequentes são aqueles que podem ser diagnosticados bem no início com grandes chances de cura, como câncer de pele, mama e próstata.
O médico oncologista e diretor clínico do HCL, José Couto, explica que as características atuais da população e os hábitos de vida, além do envelhecimento natural dos brasileiros, têm sido os principais fatores que contribuem para o aumento dos casos. Ainda assim, o especialista lembra que a possibilidade de diagnósticos realizados cada vez mais cedo é o que tem feito pacientes conseguirem tratar e, em muitos casos, até mesmo alcançar a cura de alguns tipos de câncer.
''Estamos vivendo mais, então vamos ter cada vez mais doenças degenerativas como Alzheimer, câncer, degenerações ósseas, etc. A principal causa de morte continua sendo a cardiovascular, porém, se a pessoa não morrer por outros motivos, invariavelmente terá câncer no futuro'', aponta.
Especialista em câncer de mama, Couto explica que é difícil selecionar as pacientes de risco porque existem vários fatores comportamentais associados à doença. O médico enfatiza a importância das mulheres estarem em dia com exames feitos por imagem, mamografia e, eventualmente, ultrassonografia.
''Essa história de autoexame, de palpação, é para ser esquecida. Imagine uma mama grande, com um tumor pequeno do tamanho de um grão de arroz? Não é possível sentir isso com as mãos. Para ser palpável, ele precisa ter, pelo menos, um centímetro de diâmetro. Por isso, a paciente tem que ter consciência de que precisa ir ao mastologista uma vez por ano, porque só ele vai decidir, dentro dos seus fatores de risco e idade, quais são os exames que ela deverá fazer'', orienta. ''É preciso lembrar o seguinte: ginecologista trata de doença ginecológica, obstetra trata parto e quem trata mama é o mastologista'', completa.
De acordo com o médico, as mulheres precisam procurar um mastologista sempre que perceber alguma alteração na mama ou tiver dúvida a respeito. Em casos de parentes de primeiro grau com câncer, a mulher precisa ir ao especialista a partir dos 25 anos de idade ou quando surgir alguma alteração. Couto enfatiza também que é fundamental a realização de mamografia de base, pelo menos, a partir dos 35 anos.
Especialidades
Por meio do ''core biopsy'' ou biópsia de fragmento - punção feita com agulha mais grossa -, médicos do Hospital do Câncer de Londrina conseguem tirar um pedaço da mama, sem a necessidade de cortes, preservando a paciente de uma cirurgia desnecessária. ''Às vezes, uma lesão é considerada suspeita pelas suas formas, mas podem ser dados indiretos. Quando você faz o diagnóstico correto, evita-se uma retirada desnecessária. Se aquilo não for um câncer, você pode e deve manter o nódulo lá, não tem que retirar. Retirar é coisa do século passado. Precisamos lembrar que a mama é o lugar mais frequente de fazer quelóide, além de cicatriz interna que depois vai alterar a visualização numa mamografia'', explica Couto.
O oncologista reforça a importância da população ficar atenta na hora de procurar atendimento médico para investigar e tratar o câncer, pois, segundo ele, são comuns casos de pacientes que chegam ao Hospital do Câncer de Londrina para dar início a um tratamento que poderia ter sido iniciado há mais tempo, aumentando as chances de cura.
''O que acontece muitas vezes num hospital geral ou em cidades de pequeno porte é que o paciente vai ser aberto por um médico que não é especialista para um procedimento que não foi planejado. Além de tirar a chance de cura ou de um tratamento eficaz, ainda anunciam à família do paciente que não há o que fazer. Esse é o grande prejuízo para o paciente de câncer. Por isso, é importante que ele seja operado e tratado num local onde há equipe multidisciplinar'', reforça Couto.

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