Casais buscam ajuda da genética
Além de cada vez mais seguros e específicos, os estudos relacionados à genética reprodutiva têm o respaldo da tecnologia, garantindo mudanças e novidades nos tratamentos para quem deseja engravidar.
O geneticista Ciro Martinhago afirma que os testes para análise embrionária é procurado principalmente por casais acima dos 37 anos, que já estão tendo dificuldades para engravidar e que vão se submeter à fertilização.
O presidente da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida, José Gonçalves Franco Junior, porém, reforça que a mulher deve lembrar que ao passar dos anos, ela terá perda de qualidade da função ovariana e que os métodos de reprodução podem resultar ainda em gastos não só econômicos, mas emocionais.
A ginecologista especialista em reprodução humana, Paula Beatriz Fettbak, revela que uma pesquisa realizada há cerca de dois anos na Inglaterra constatou que a maioria das mulheres acima de 35 anos acreditava que com as evoluções da reprodução assistida não teriam mais dificuldades para engravidar, mesmo se postergassem as tentativas para mais de 40 anos.
"Este é o maior mito que ainda prevalece. Evoluímos muito, mas temos e continuaremos tendo muitos desafios após os 40 anos de idade, mesmo com a tecnologia a nosso favor", diz. Paula ainda observa que muitas mulheres acabam desistindo de engravidar pelo medo de alguma doença genética relacionada à idade dos óvulos, principalmente a Síndrome de Down. Porém, ela cita que esse comportamento já está mudando.
"Hoje, esses testes tornam possível um diagnóstico genético pré-implantacional, além de outras técnicas seguras e específicas durante o pré-natal", afirma ela, que atende principalmente casais nos quais as mulheres têm acima de 35 anos e que casaram mais tarde e/ou optaram por postergar a maternidade.
Um exemplo é a professora Lilian Adriana Nicolino, de 41 anos. Após 17 anos de casados, ela e o marido resolveram ter o primeiro filho. "Achamos que essa era a hora. Antes não me sentia preparada, tanto pela responsabilidade da maternidade quanto à estabilidade financeira", observa.
Lilian não esconde que teve uma preocupação quanto às dificuldades de engravidar após os 40 anos. "Fizemos uma consulta médica e nos inteiramos muito sobre as novidades nessa área. Ficamos mais tranquilos porque não existe mais aquele estigma de antigamente. Além disso, há a possibilidade hoje de realizar exames e métodos seguros e eficazes", diz.
No ano passado, o casal fez uma série de exames, pois Lilian tem apenas um ovário e uma trompa. Eles também eram monitorados pela médica e tiveram relações no momento da ovulação. "Para ajudar, tomei um remédio para indução ovariana e um mês depois engravidei", comemora.
Mas Lilian revela que antes de entrar no consultório o casal conversou muito sobre as expectativas. "Combinamos que íamos tentar ao máximo controlar a ansiedade. Se não desse certo, voltaríamos a pensar no assunto somente alguns meses depois. Mas não descartamos, por exemplo, a possibilidade de uma fertilização in vitro", afirma.
Lilian está na 16ª semana de gestação. E agora a expectativa maior é ter João Bernardo nos braços. (M.O.)





