Um estudo publicado recentemente no American Journal of Clinical Nutrition relacionou o consumo de carne vermelha, processada ou não, ao risco de desenvolvimento de diabetes mellitus tipo 2. A publicação causa impacto por ter combinado dados de três grandes estudos, todos com seguimento de longo prazo, confirmados por uma metanálise de outros estudos, perfazendo um total de mais de 400.000 indivíduos.
Segundo essa análise, o consumo diário de 50 g de carne processada (uma linguiça) confere um aumento de risco de desenvolver diabetes mellitus tipo 2 de 51%, enquanto o consumo de 100g de carne in natura (porção equivalente ao tamanho de 1 baralho de cartas) confere um aumento de risco de 19%.
Os resultados encontrados são consonantes com estudos menores publicados na última década que relacionaram o consumo de carne, mais especificamente de ferro heme, ao maior risco de diabetes. Dentre eles, dois estudos publicados na edição de julho do Diabetes Care relacionaram o maior consumo de ferro heme durante a gestação e no período pré gestacional com maior risco de desenvolvimento de diabetes gestacional.
O ferro heme está presente nos alimentos de origem animal ricos em ferro, como carne e gema de ovo. O consumo de ferro não heme, presente nas leguminosas e grãos integrais, e a suplementação de ferro não estariam relacionados ao desenvolvimento de diabetes.
O vilão em questão tem ação pró-oxidante, podendo ter efeito tóxico sobre as células betas pancreáticas através do stress oxidativo, reduzindo assim sua função. Esse efeito está bem documentado em portadores de hemocromatose, que apresentam níveis patologicamente altos de ferro, mas ainda não foi bem determinado em indivíduos com níveis normais de ferro.

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