Sonolência, falta de concentração e indisposição. Esses vilões de qualquer ambiente de trabalho podem ter uma explicação relativamente simples: a alimentação. Ao optar por refeições balanceadas durante a jornada de trabalho, os benefícios vão além do controle de peso. Ganha-se em qualidade e produtividade. Esse é o recado de médicos nutrólogos e nutricionistas, que tende a ser encarado cada vez mais com seriedade. Pelo menos, é o que indica a pesquisa "Hábitos Alimentares do Trabalhador Brasileiro", da Alelo, realizada em 2015, com 3.059 participantes, entre homens e mulheres.
A maioria (72%) respondeu que mudaria os hábitos alimentares para se sentir mais saudável e ter mais qualidade de vida. A pesquisa ainda revelou que mais da metade (67%) dos participantes almoçam fora de casa e 42% se sentem indispostos e sonolentos na volta ao trabalho.
Pensando nisso e pela proximidade do Dia Mundial da Saúde (7 de abril), a FOLHA
conversou com especialistas para reforçar a importância de nutrir corretamente o corpo e apontar o "cardápio" mais indicado para o expediente. Entre tantas opções, há uma certeza: a melhor receita começa dentro de casa, isto é, a partir de uma organização que nos permita ter em mãos, alimentos ricos em nutrientes, fibras e baixo índice glicêmico (que não elevam muito o açúcar no sangue).
Ou seja, a ideia é sair de casa com lanchinhos e frutas que vão saciar a fome, dar energia e ainda estimular nosso cérebro. "São opções fáceis de preparar e carregar. Ao criar uma rotina de refeições, o organismo vai entendendo com o tempo que não precisa comer tanto para armazenar tudo que ingerimos, pois a cada três, quatro horas, terá um suporte, evitando assim um estresse metabólico", comenta a nutricionista Flávia Pagano.
Ela explica que nesse estado (estresse metabólico), há a liberação do cortisol, conhecido como hormônio do estresse, que aumenta a irritabilidade, perda de concentração e memória. Além disso, o estresse e a falta de energia também aumentam o desejo por doces.

COMER É PRECISO
Flávia revela que muitas pessoas acreditam que o fato de não comer no trabalho é bom, benéfico. "Ficar muito tempo sem comer aumenta a fome e a ansiedade. Nosso cérebro é alimentado de glicose (açúcar presente no sangue) e, com longos períodos de jejum, há uma baixa desse açúcar no organismo, o que pode comprometer a produtividade", diz.
A médica nutróloga da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran), Vivian Marques Miguel Suen, ressalta ainda que, após ficar muito tempo sem se alimentar, é quase certo que, no momento da próxima refeição, o consumo será muito maior que o necessário. "Também não é bom fazer uma refeição pesada porque o organismo precisa desviar uma grande quantidade do sangue para o sistema digestivo, justamente para aproveitar o que ingerimos. E isso leva a pessoa ficar sonolenta, a ter preguiça, principalmente logo após o almoço", completa.

Imagem ilustrativa da imagem Cardápio para o trabalho
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