Capacidade de atenção é naturalmente limitada
Mas será que todo mundo que acha que tem deficit de atenção de fato tem? Será que não estamos vivendo em um mundo propenso a distrações e com expectativas irreais de produtividade?
Com certeza, diz Luis Augusto Rohde, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. "Há dez anos, era raro atender um paciente que achasse que tinha a síndrome e não tinha de fato. Hoje, entre dez desconfiados, três ou quatro devem ter um problema real."
Para ele, o mito da produtividade plena e a expectativa de que sejamos multitarefa faz com que muitos busquem tratamento para doenças inexistentes.
"Recebi um paciente que era controlador da bolsa e precisava acompanhar seis monitores ao mesmo tempo. Às vezes ele perdia detalhes e isso acarretava em perdas milionárias. Ele tem TDAH? Não, ele está se propondo a fazer algo que poucos conseguiriam. Nossa capacidade de atenção é naturalmente limitada", diz Rohde.
Uma questão espinhosa é se seria ético tomar remédios para TDAH sem ter o problema, só para aumentar a produtividade. "Se o médico explica os riscos, sobretudo ao coração, e o paciente quer tomar, não vejo problemas", diz.
"É claro que o trabalhador que toma Ritalina vai produzir mais, e isso pode não ser justo com aquele que não toma. Mas não é assim com outras coisas? Com cirurgia plástica, por exemplo?", questiona.
"A questão é pensar até que ponto queremos ser máquinas de produtividade. O quanto isso não vai trazer mais sofrimento do que benefício", conclui.(J.C./Folhapress)




