Câncer pode ser principal causa de morte em 2020
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domingo, 29 de abril de 2012
Davi Baldussi <br> <br> Reportagem Local 
Em 2020 o câncer será a principal causa de morte no Brasil. Atualmente a doença é a segunda que mais mata no país, atrás de doenças cardiovasculares, como Acidente Vascular Cerebral (AVC) e infarto. Uma estimativa do Instituto Nacional do Câncer (Inca) revela que até o final do ano, o Brasil terá 518 mil novos casos da doença. No Paraná serão 16 mil novos registros. Além da falta de rastreamento, os especialistas alertam para deficiência de estrutura de atendimento para pacientes de câncer no país.
A informação é de especialistas que se reuniram em São Paulo durante seminário sobre a doença no Brasil, promovido pela Sociedade Brasileira de Radioterapia. De acordo com Rafael Kaliks, oncologista diretor científico do Instituto Oncoguia, a população brasileira está envelhecendo e o câncer tende a se manifestar em pacientes com mais idade, ''maioria tem mais de 60 anos''.
No ano passado, de acordo com dados da Secretaria Estadual de Saúde, doenças cardiovasculares mataram 19 mil pessoas no Estado, enquanto isso o câncer vitimou 11 mil paranaenses. O câncer de pulmão foi o principal com 1.532 mortes, seguido de estômago 911, próstata 880 e mama 804.
Conforme Kaliks, até 2020 ''todos nós seremos afetados por câncer. Direta ou indiretamente, por causa de um parente (por exemplo)''. O oncologista alerta que atualmente há uma subnotificação de casos da doença no país. ''Falta rastreamento''.
De acordo com Kaliks, a média atual no país, de acordo com dados Instituto Nacional do Câncer (Inca), é de 52 novos casos de câncer de mama para cada 100 mil habitantes. ''É uma mentira dizer que no país tem só 52 casos para cada 100 mil. Um projeto de bairro em São Paulo, foi até na casa de possíveis pacientes com câncer e praticamente as levou para fazer exames. O resultado foi de 200 casos para 100 mil habitantes''. O oncologista resume o raciocínio da seguinte forma: ''quem procura acha''.
O médico explica que a falta de rastreamento e de exames preventivos, como a mamografia para detectar a doença na fase inicial, podem diminuir as chances de cura. ''Na fase precoce, as chances de cura chegam a 60% e 70%'', informou.
No entanto, conforme Anderson Arantes Silvestrini, presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), cerca de 60% dos casos de câncer são descobertos em estágio avançado. ''Piora a chance de cura (quando a doença é descoberta tardiamente)'', explica.
*O jornalista viajou a convite da Sociedade Brasileira de Radioterapia

